Serviços especializados para crianças com transtornos de neurodesenvolvimento são suspensos em Cuiabá
A Secretaria Municipal de Saúde (SME) confirmou o remanejamento como forma de reorganização, mas destacou que a medida não é uma desassistência às crianças e adolescentes.
Serviços especializados para crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento foram suspensos ou remanejados na rede pública de saúde de Cuiabá, segundo relatos de mães atendidas pelo município.
Elas afirmam que, após mudanças no Centro de Especialidades Médicas (CEM), passaram a enfrentar dificuldades para conseguir consultas com neurologistas, psiquiatras infantis e outros profissionais.

Oliva Sebastiana é mãe de um menino de 9 anos, diagnosticado com TDAH, apraxia e dificuldades de coordenação motora. Segundo ela, o filho faz acompanhamento com psicóloga e fonoaudióloga, mas deixou de ter acesso a outras especialidades. “Está faltando neuro, psiquiatra, terapeuta”, relatou.
A situação também afeta as duas filhas de Priscilla da Silva Alves. A adolescente de 14 anos tem autismo e deficiência intelectual, enquanto a filha de 5 anos tem TDAH e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD). A mais nova precisa passar por uma reavaliação com psiquiatra infantil, mas a mãe afirma que não consegue manter o acompanhamento especializado.
Outra mãe, Letícia Gabriele Pereira dos Santos, relata dificuldades para conseguir atendimento para os quatro filhos. Um deles tem epilepsia e, segundo ela, está sem acompanhamento de profissionais como fonoaudiólogo e psiquiatra. A falta de atendimento, afirma, também tem refletido na rotina escolar da criança.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SME) confirmou o remanejamento e informou que a medida faz parte de uma reorganização da rede. Segundo a pasta, o CEM continua responsável pelas consultas e avaliações especializadas necessárias e, após a definição das condutas, os pacientes devem ser acompanhados pela Atenção Primária, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A secretaria ressalta que o remanejamento não significa desassistência e que foi criado um protocolo de contrarreferência para garantir a continuidade do cuidado.

O defensor público Denis Rodrigues, coordenador do Grupo de Atuação de Estratégia Coletiva em Saúde Mental, explica que a UBS é a porta de entrada do sistema, mas destaca que o atendimento precisa funcionar de forma integrada entre os diferentes níveis da rede.
Para as famílias que encontram dificuldades para conseguir o tratamento, ele orienta a procurar a Defensoria Pública e apresentar os documentos relacionados ao caso. A Secretaria informou ainda que trabalha em novas contratações de profissionais, mas não detalhou quantidade, especialidades ou prazo.
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