Chuva do caju e da manga: entenda por que primeiras pancadas anunciam fim da seca em MT

Fenômeno popular está ligado ao ciclo de frutas como caju e manga e marca a transição entre a estiagem e o período chuvoso; calor intenso também favorece mudanças rápidas na atmosfera.

Depois de meses de estiagem, calor intenso e baixa umidade, as primeiras chuvas começam a aparecer em Mato Grosso a partir de setembro e trazem mais do que alívio para quem enfrenta temperaturas que chegam perto dos 42°C. Na cultura popular, esse período é conhecido por expressões como “chuva do caju” ou “chuva da manga”.

No entanto, nem todos sabem a origem destes termos. Apesar de serem termos muito conhecidos, as expressões têm explicação relacionada ao ciclo das próprias plantas.

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Cajueiros e mangueiras florescem antes da chegada da chuva, aguardando para preparar frutos. – Fotos: Reprodução

Segundo o professor de Química e divulgador científico do campus de Várzea Grande da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutor Felipe Thomaz Aquino, a denominação está associada ao período em que cajueiros e mangueiras florescem antes da retomada das chuvas.

“Um pouco antes das primeiras chuvas, após um longo período de estiagem, essas espécies já estão com suas árvores floridas, esperando a chuva para que saiam os frutos”, explica.

De acordo com o professor, em Mato Grosso a estiagem costuma se estender de maio até o final de agosto. É justamente depois desse período que começam a aparecer as primeiras precipitações, enquanto a estação chuvosa se estabelece efetivamente entre outubro e novembro.

As primeiras chuvas, portanto, funcionam como uma espécie de sinal de transição: o estado deixa gradualmente para trás o período mais seco e começa a recuperar a umidade.

Devido ao calor intenso, estas chuvas podem vir em forma de temporais e de forma mais violenta por onde passam.

☀️ 🌡️ Calor de 42°C pode provocar temporais?

Essa semana, as pancadas de chuva que caíram sobre Cuiabá na terça-feira (1º) após pouco mais de dois meses de seca total foram suficientes para alagar pontos da cidade e causar transtornos para moradores no trânsito e no comércio.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que somente na capital, em poucos minutos de chuva, foram registrados 20,2 milímetros.

Além disso, choveu também em cidades do interior e em Nortelândia (MT) árvores e outras estruturas foram derrubadas e a rede elétrica foi danificada. O calor extremo também faz parte desse cenário.

Chuva intensa provocou alagamentos em pontos de Cuiabá na tarde de terça-feira (1º), após pouco mais de dois meses de seca. – Vídeos: Reprodução

Segundo o professor Felipe, as temperaturas elevadas são características do período de estiagem, acompanhadas pela baixa umidade. Nos últimos anos, esse quadro tem sido agravado por fenômenos meteorológicos como o El Niño.

Quando as primeiras frentes frias chegam, ocorre uma mudança importante na atmosfera. O encontro entre massas de ar frio e o ar quente acumulado durante a estiagem pode provocar precipitações rapidamente.

A combinação pode contribuir para a formação rápida de chuvas e temporais, que podem causar estragos justamente pela velocidade com que se desenvolvem. Apesar disso, para aos mato-grossenses, a chegada das chuvas é sempre comemorada.

“Para a população acaba sendo um alívio a diminuição da temperatura e aumento da umidade, bem como para a fauna e flora em geral”, acrescenta o professor.

⛈️☔E o que é a chuva ácida?

Outro fenômeno que pode aparecer nesse período é a chamada chuva ácida. O nome está relacionado à presença de determinados gases na atmosfera que podem reagir com a água e aumentar sua acidez.

Segundo Felipe, entre os responsáveis estão os óxidos de nitrogênio e de enxofre, que provenientes da poluição atmosférica gerada por veículos, indústrias e também pelas queimadas comuns durante a estiagem.

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Após longos períodos de estiagem, chuva ácida se forma devido a concentração de poluentes na atmosfera. – Foto: Marcos Salesse

A preocupação aumenta porque a água mais ácida pode provocar impactos ambientais. Ela pode alterar a acidez de rios e outros ambientes aquáticos e favorecer a liberação de determinados metais, como o alumínio, que, dependendo da concentração, pode ser tóxico.

Os efeitos também podem atingir animais domésticos e silvestres.

Alerta do professor

A chuva ácida pode causar irritações e doenças pulmonares quando são muito intensas. Também podem causar desequilíbrios ambientais, pois alteram a acidez das águas, que por sua vez pode liberar certos metais como alumínio, entre outros, que dependendo da concentração podem ser tóxicos. Essas chuvas também afetam os animais domésticos e silvestres. Então a recomendação é sempre procurar se proteger das chuvas e tomar banho assim que chegar em casa para retirar essas possíveis contaminações.

Analisa o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), doutor Felipe Thomaz Aquino

Assim, a “chuva do caju”, depois de meses de seca, não representa apenas a volta da água ao solo, ela também marca uma mudança no comportamento da atmosfera, ajuda a reduzir o calor e a umidade extremamente baixa e anuncia a aproximação da temporada chuvosa.

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