Cientistas usam preservativos na Amazônia e descoberta vira artigo científico

Experimento feito por pesquisadoras na Floresta Amazônica mostrou que as torres construídas por cigarras podem ajudar na troca de gases e na sobrevivência dos insetos.

Um experimento curioso realizado na Floresta Amazônica — que usou 40 preservativos como ferramenta científica — ajudou pesquisadores a desvendar uma função pouco conhecida das chamadas “torres de cigarra”, estruturas cilíndricas de barro construídas por insetos no solo da mata.

Preservativos foram usados por cientistas em pesquisa na Amazônia. - Foto: Redes Sociais
Preservativos foram usados por cientistas em pesquisa na Amazônia. – Foto: Redes Sociais

A pesquisa foi conduzida durante um curso de campo de Formação em Ecologia Quantitativa de 2025 e acabou rendendo um artigo científico publicado em fevereiro de 2026 na revista internacional Biotropica.

As torres, que parecem pequenos cilindros de terra endurecida, são construídas por cigarras na superfície do solo. Apesar de serem comuns em áreas de floresta tropical, cientistas ainda tentam entender qual é exatamente a função dessas estruturas.

A hipótese dos pesquisadores

O grupo de ecólogos levantou a hipótese de que as torres poderiam ajudar na regulação fisiológica das cigarras, funcionando como um mecanismo que facilita a troca de gases entre o interior do solo e o ambiente externo.

Para testar a ideia, surgiu uma solução criativa. Como vedar a abertura das torres sem destruir a estrutura? Uma das pesquisadoras sugeriu usar preservativos.

O experimento na floresta

Os cientistas colocaram preservativos sobre as torres de cigarra para vedar temporariamente a abertura das estruturas, impedindo a circulação de ar.

Ao todo, 40 torres foram vedadas durante o experimento. A ideia era observar se a interrupção da troca de gases provocaria alguma alteração no desenvolvimento das estruturas. Os resultados chamaram atenção.

40 torres foram vedadas durante o experimento. – Vídeo: Redes Sociais

O tamanho das torres importa

Após o experimento, os pesquisadores observaram que torres maiores cresceram mais após a vedação, sugerindo que estruturas maiores conseguem lidar melhor com o estresse causado pela falta de troca gasosa.

Isso reforça a hipótese de que as torres podem funcionar como um sistema natural de ventilação ou regulação de gases para os insetos.

Além disso, o estudo indica que o tamanho da torre pode influenciar diretamente a eficiência desse mecanismo.

Da curiosidade à ciência

O experimento, que começou com uma solução improvisada em campo, acabou se transformando em uma pesquisa científica publicada internacionalmente.

O trabalho foi conduzido pelas pesquisadoras Marina Méga, Izadora Nardi, Sara Feitosa e Maria Luiza Busato, com orientação dos ecólogos Pedro Pequeno (INPA) e Rodrigo Fadini (UFOPA).

Alunos responsáveis pelo estudo no curso de campo da Formação em Ecologia Quantitativa de 2025. Foto: Redes Sociais
Alunos responsáveis pelo estudo, no curso de campo da Formação em Ecologia Quantitativa de 2025. Foto: Redes Sociais

O artigo científico recebeu o título: “Anti-Predation and Size-Dependent Gas Exchange Functions of Amazonian Architect Cicada Towers”.

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