Explosão cósmica ultrabrilhante e 'próxima' à Terra é a mais forte já detectada

Detectada a 130 milhões de anos-luz da Terra, a explosão de rádio ultraluminosa e sua localização única podem finalmente dar aos cientistas a chave para entender a origem desses fenômenos misteriosos no universo.

Cientistas internacionais, incluindo físicos do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), detectaram um clarão cósmico extremamente raro e poderoso. Trata-se de um tipo de emissão de energia conhecido como fast radio burst (FRB), ou explosão rápida de rádio, que ocorreu a cerca de 130 milhões de anos-luz da Terra.

Explosao cosmica ultrabrilhante

Essa distância, considerada relativamente “próxima” para os padrões cósmicos, permitiu um registro sem precedentes do fenômeno, que foi apelidado de RBFLOAT (radio brightest flash of all time, ou “clarão de rádio mais brilhante de todos os tempos”).

Embora as FRBs sejam estudadas desde 2007, sua origem ainda é um dos maiores mistérios da astrofísica. São emissões intensas de ondas de rádio que duram apenas milésimos de segundo, mas que, nesse breve instante, conseguem brilhar mais do que todas as estrelas de uma galáxia juntas.

A proximidade e a intensidade da explosão mais recente oferecem uma oportunidade única para os cientistas investigarem a fonte desses eventos. Conforme destacou o professor Kiyoshi Masui, do MIT, essa explosão aconteceu “em nosso ‘bairro'”, o que permite um estudo detalhado de um fenômeno que é considerado comum no universo.

Detalhes da explosão cósmica

O clarão foi detectado e localizado com precisão pelo CHIME, um conjunto de antenas instalado no Canadá. Recentemente, o telescópio foi reforçado por estações menores, chamadas CHIME Outriggers, espalhadas pela América do Norte. Juntos, esses equipamentos formam um sistema de escala continental capaz de rastrear a origem das explosões cósmicas com grande acurácia.

Foi a primeira vez que a combinação entre CHIME e Outriggers conseguiu identificar não apenas a galáxia de origem, mas também a região exata dentro dela. O sinal partiu da borda da galáxia NGC 4141, em uma área próxima, mas não central, de formação de estrelas. Essa localização específica fornece uma pista importante para a comunidade científica.

Pistas para o mistério da origem

A principal hipótese para explicar as FRBs são os magnetars, estrelas de nêutrons jovens e com campos magnéticos extremamente fortes. Como esses objetos costumam ser encontrados em regiões de intenso nascimento estelar, a localização do FRB detectado, que ocorreu na periferia do processo de formação de estrelas, sugere que a explosão pode ter vindo de um magnetar um pouco mais antigo.

Um evento único para a ciência

Para tentar entender melhor a explosão, a equipe de cientistas revisou os últimos seis anos de registros do CHIME em busca de sinais que pudessem ter se repetido na mesma região.

O resultado foi negativo, o que indica que este evento cósmico foi único. Essa descoberta reacende o debate central na astronomia: alguns FRBs se repetem, enquanto a maioria, como essa, ocorre apenas uma vez. Há fortes indícios de que esses dois tipos de explosão possam ter origens diferentes.

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