"Frente fria" no espaço? Fenômeno gigante está mudando galáxias e intriga cientistas

Fenômenos espaciais podem arrancar gás das galáxias

Parece uma frente fria, mas acontece a milhões de anos-luz da Terra. Um estudo brasileiro mostra como essas estruturas de gás extremamente quente e denso se formam em aglomerados de galáxias e podem interferir na evolução das galáxias que atravessam essas regiões.

ESO 137-001, galáxia água-viva descoberta em 2005. (Foto: NASA)
ESO 137-001, galáxia água-viva descoberta em 2005. (Foto: NASA)

Conforme o Observatório Nacional, o trabalho é resultado da pesquisa de mestrado de Elvis A. Mello-Terencio, desenvolvida na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Paredes invisíveis

Para entender o que são essas chamadas “frentes frias” espaciais, é preciso olhar para os aglomerados de galáxias. Eles estão entre as maiores estruturas conhecidas do universo e podem reunir centenas ou até milhares de galáxias.

Apesar de serem formados por galáxias, esses aglomerados não estão vazios. Elas estão mergulhadas em uma enorme quantidade de gás extremamente quente e rarefeito, conhecido como meio intra-aglomerado.

Quando dois aglomerados de galáxias colidem ou passam próximos um do outro, o gás pode sofrer um grande deslocamento, em um processo conhecido como sloshing. O movimento pode ser comparado ao que acontece quando alguém balança uma tigela de sopa: o líquido se movimenta, cria ondas e forma grandes espirais.

Galáxias água-viva e o “vento” do espaço

O estudo também se debruçou sobre as chamadas galáxias água-viva, que recebem esse nome por causa das longas caudas de gás que se formam ao redor delas, semelhantes aos tentáculos do animal. O fenômeno acontece quando essas galáxias atravessam, em alta velocidade, o gás presente nos aglomerados e sofrem uma espécie de pressão de arraste.

A comparação ajuda a entender o processo: é como colocar a cabeça para fora da janela de um carro em movimento e sentir o vento bater no rosto. No espaço, porém, esse “vento” é formado pelo gás do aglomerado e pode empurrar para fora parte do gás que existe dentro da própria galáxia, formando as extensas caudas.

Descobertas revelam três mudanças

As simulações mostraram três efeitos principais nas galáxias que atravessam uma frente fria:

  • Perda de gás: a galáxia perde gás muito mais rápido e, nos casos mais extremos, quase todo o combustível usado para formar estrelas.
  • Mais estrelas: a pressão comprime o gás restante e provoca um aumento temporário na formação de novas estrelas.
  • Mudança de cor: com o surgimento de estrelas jovens, a galáxia fica mais azulada. Depois, com a perda do gás e o fim do surto, tende a ficar mais avermelhada e com pouca formação estelar.

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