Morcegos sob análise: UFMT monitora microrganismos que podem afetar humanos
Estudo da Universidade Federal de Mato Grosso mapeia vírus, fungos e bactérias em morcegos e pode subsidiar políticas públicas no estado.
Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no campus de Sinop, está investigando vírus, fungos e bactérias que circulam em morcegos na região de transição entre Cerrado e Amazônia. O estudo que está em fase inicial, foi divulgado pela universidade na quinta-feira (19) e tem como foco identificar microrganismos que possam, em algum momento, representar riscos à saúde humana.

O estudo é conduzido no Laboratório de Quiropterologia Neotropical e integra uma estratégia de monitoramento da fauna silvestre com foco em saúde pública. A proposta é identificar quais microrganismos estão presentes nesses animais e compreender como ocorre essa circulação.
O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), atendendo ao Programa Pesquisa para o SUS (PPSUS). A iniciativa fortalece a integração entre universidade e poder público na construção de estratégias preventivas.
Morcegos e vigilância em saúde
De acordo com o professor Rafael Arruda, coordenador do laboratório, o projeto está em fase inicial e surge da necessidade de aprofundar a vigilância de potenciais patógenos na fauna brasileira. “É importante fazer a prospecção desses potenciais patógenos visando a vigilância epidemiológica”, afirma.
Segundo ele, os animais silvestres não são o problema. O risco aumenta quando há avanço humano sobre áreas naturais sem planejamento, o que amplia o contato com microrganismos que já fazem parte do ecossistema desses animais. “Já existe todo um ecossistema de patógenos associados à fauna. Quando a gente entra nesse ambiente, pode acabar entrando em contato com esses microrganismos”, explica.
A região escolhida para o estudo apresenta alta biodiversidade e intensa interação entre áreas naturais, zonas urbanas e atividades humanas. As coletas são feitas com captura temporária e ética dos morcegos, seguidas de análises laboratoriais com técnicas moleculares e microbiológicas.

Os primeiros estudos-piloto realizados em Sinop identificaram microrganismos que já convivem com a espécie humana e não representam, neste momento, ameaça inédita. O objetivo, no entanto, é estruturar um banco de dados contínuo que possa municiar o poder público na tomada de decisões, caso algum agente com potencial de risco seja identificado no futuro.
Com cerca de 1.500 espécies descritas no mundo e aproximadamente 200 registradas no Brasil, os morcegos estão entre os mamíferos mais diversos do planeta. Apesar da associação frequente a doenças, desempenham papel fundamental no controle de pragas agrícolas, na polinização e na dispersão de sementes.
A expectativa é consolidar uma parceria permanente com a Secretaria Estadual de Saúde para que o monitoramento seja contínuo. A aposta da pesquisa é clara: investir em ciência e prevenção para reduzir riscos antes que se transformem em crise sanitária.
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