Múmia de 5,3 mil anos que virou tatuagem de Brad Pitt é recriada com ajuda de pesquisador de MT
Designer 3D de Sinop integrou equipe internacional que criou uma cópia digital detalhada de Ötzi, encontrado nos Alpes em 1991 e preservado pelo gelo por milhares de anos.
Uma das múmias mais famosas e estudadas do mundo, que viveu há cerca de 5,3 mil anos e inspirou até uma tatuagem do ator Brad Pitt, ganhou um “gêmeo digital” com participação de um pesquisador de Mato Grosso. O designer 3D Cícero Moraes, de Sinop (MT), integrou a equipe internacional responsável por criar uma cópia tridimensional de alta resolução de Ötzi, o chamado ‘Homem de Gelo’.

O trabalho foi publicado na revista científica internacional Heritage e permite que pesquisadores estudem detalhes externos e internos da múmia sem precisar manipular constantemente o corpo original.
Ötzi viveu durante a Idade do Cobre e teve o corpo preservado naturalmente pelo gelo dos Alpes. Desde que foi encontrado, em 1991, a múmia ajudou cientistas a descobrir detalhes que vão da alimentação e das doenças que enfrentava até as circunstâncias de sua morte.
O que a múmia de Ötzi revelou mais de 5 mil anos depois?
Encontrado nos Alpes em 1991, Ötzi viveu por volta de 3.300 a.C. e se tornou uma das múmias humanas naturais mais antigas e bem preservadas já estudadas. O corpo ajudou cientistas a descobrir detalhes sobre alimentação, doenças, aparência e até sua morte.
6 curiosidades reveladas por Ötzi
Ötzi viveu por volta de 3.300 a.C., durante a Idade do Cobre.
Exames realizados no corpo permitiram aos pesquisadores estimar características físicas do Homem de Gelo.
Os estudos identificaram uma lesão provocada por uma flecha no ombro esquerdo de Ötzi.
Análises do conteúdo do estômago indicaram uma refeição rica em gordura, adequada ao ambiente de alta montanha.
Exames revelaram alterações nos vasos sanguíneos compatíveis com a doença, mostrando que o problema já existia há milhares de anos.
A silhueta do corpo mumificado de Ötzi inspirou uma das tatuagens que o ator mantém no antebraço esquerdo.
Mais de três décadas de descobertas: desde 1991, o corpo, as roupas, os equipamentos encontrados com Ötzi e exames realizados na múmia ajudaram cientistas a reconstruir parte da vida de um homem que viveu há mais de 5 mil anos.
Tecnologia usada por cirurgiões ajudou a recriar múmia
No projeto, Cícero participou da digitalização externa e da integração de diferentes dados tridimensionais. O pesquisador de Mato Grosso também trabalhou na solução tecnológica usada para cruzar as informações obtidas pela equipe.
A tecnologia empregada por ele também é utilizada em planejamentos cirúrgicos. Segundo Cícero, o programa é usado por cirurgiões de 37 países e foi desenvolvido para trabalhos que exigem alta precisão.
Para produzir o “gêmeo digital”, os pesquisadores utilizaram fotografias em alta resolução, tomografias computadorizadas e técnicas de fotogrametria, que permitem criar modelos tridimensionais a partir de imagens feitas em diferentes ângulos.
O resultado é uma espécie de cópia digital extremamente detalhada de Ötzi. O modelo reúne informações sobre a parte externa e interna do corpo e pode ser utilizado para acompanhar possíveis alterações na múmia ao longo dos anos.
Isso é especialmente importante porque Ötzi não pode ser retirado com frequência do ambiente em que é preservado. Atualmente, a múmia permanece em uma câmara refrigerada no Museu Arqueológico do Tirol do Sul, em Bolzano, na Itália.
Além do corpo, ferramentas e acessórios encontrados com o Homem de Gelo também foram digitalizados.
De Sinop para um dos projetos arqueológicos mais conhecidos do mundo
Morador de Sinop, Cícero Moraes é especialista em modelagem 3D e reconstrução facial forense. Neste projeto, porém, o objetivo não foi reconstruir a aparência que Ötzi teria em vida, mas criar uma documentação tridimensional detalhada da múmia.

A participação no trabalho também realizou um desejo antigo do pesquisador. Em 2018, Cícero visitou o museu onde Ötzi é preservado e viu a múmia a poucos metros de distância.
Naquela época, imaginou como seria participar algum dia de um projeto relacionado ao Homem de Gelo. Anos depois, recebeu o convite.
Cícero foi contratado por meio da empresa italiana Arc-Team, que presta serviços ao museu e mantém parceria com o pesquisador há mais de uma década.
Turistas acharam corpo e pensaram que morte era recente
A história de Ötzi começou por acaso. Em setembro de 1991, dois turistas alemães encontraram um corpo nos Alpes de Ötztal, perto da fronteira entre Itália e Áustria.

No primeiro momento, acreditava-se que se tratava de uma pessoa que havia morrido havia pouco tempo. Estudos posteriores mostraram que o gelo havia preservado, na verdade, o corpo de um homem que viveu aproximadamente 5,3 mil anos atrás.
A descoberta ganhou ainda mais importância porque não apenas o corpo estava preservado. Roupas e equipamentos usados por Ötzi também foram encontrados, permitindo aos pesquisadores conhecer aspectos da vida cotidiana durante a Idade do Cobre.
Décadas de pesquisas revelaram que o Homem de Gelo tinha aproximadamente 1,60 metro de altura, apresentava sinais de desgaste físico e morreu depois de ser atingido por uma flecha no ombro esquerdo.
Cientistas descobriram até sua última refeição
A conservação do corpo permitiu chegar a detalhes ainda mais surpreendentes. Cientistas conseguiram investigar até o que Ötzi havia comido antes de morrer.
Análises do conteúdo encontrado no estômago indicaram uma refeição rica em gordura, compatível com as necessidades de alguém que enfrentava um ambiente de alta montanha.
Exames também identificaram alterações nos vasos sanguíneos compatíveis com aterosclerose. Segundo o Museu Arqueológico do Tirol do Sul, Ötzi é o mais antigo paciente conhecido com evidências da doença.
Ötzi virou tatuagem de Brad Pitt

A fama do Homem de Gelo ultrapassou os laboratórios e museus e chegou até Hollywood.
Brad Pitt tem no antebraço esquerdo uma tatuagem inspirada na silhueta de Ötzi. O desenho reproduz a imagem do corpo mumificado e integra a coleção de tatuagens do ator.
Agora, mais de três décadas depois de ter sido encontrado no gelo, Ötzi ganha uma nova forma de ser preservado e estudado – desta vez no mundo digital e com tecnologia que teve a participação de um pesquisador de Mato Grosso.
Leia mais
Mais lidas - 1 Mais efeitos do El Niño à vista: 2ª semana de outubro terá temporais espalhados pelo Brasil
- 2 TSE dá 2 dias para PGE se manifestar e decisão pode mudar resultado da eleição no Rio
- 3 Acabou o “friozinho”? Saiba como fica o tempo nos próximos dias em MS
- 4 PM apreende 2,6 toneladas de drogas em carreta na BR-163; carga é avaliada em R$ 6,7 milhões
- 5 Candidato recebe quase 15 mil votos a mais que eleito, mas fica sem vaga de deputado federal em MT; entenda
- 1 Mais efeitos do El Niño à vista: 2ª semana de outubro terá temporais espalhados pelo Brasil
- 2 TSE dá 2 dias para PGE se manifestar e decisão pode mudar resultado da eleição no Rio
- 3 Acabou o “friozinho”? Saiba como fica o tempo nos próximos dias em MS
- 4 PM apreende 2,6 toneladas de drogas em carreta na BR-163; carga é avaliada em R$ 6,7 milhões
- 5 Candidato recebe quase 15 mil votos a mais que eleito, mas fica sem vaga de deputado federal em MT; entenda