NASA prepara lançamento de telescópio que pode reescrever a história do universo
Novo observatório espacial chega à Flórida para os últimos testes antes de missão que investigará energia escura, matéria escura e milhares de planetas fora do Sistema Solar.
O telescópio espacial Nancy Grace Roman, considerado a próxima grande missão científica da NASA, chegou à Flórida para a fase final de preparação antes do lançamento ao espaço. O observatório será enviado em 30 de agosto a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, e promete ajudar cientistas a responder algumas das maiores perguntas sobre a origem, a evolução e o futuro do universo.

A chegada do equipamento ao Centro Espacial Kennedy, principal base de lançamentos da NASA em Cabo Canaveral, foi confirmada pelo jornalista científico e astrônomo amador brasileiro Eduardo Baldaci, que acompanha as operações espaciais diretamente dos Estados Unidos.
Transportado do Centro de Voos Espaciais Goddard, em Maryland, o telescópio desembarcou na Flórida no último domingo (21) e agora passará pelos últimos testes, abastecimento e procedimentos de segurança antes da missão.

Mais do que um novo observatório espacial, o Nancy Grace Roman é visto pela comunidade científica como uma ferramenta capaz de transformar a forma como a humanidade observa o cosmos.
O que é o telescópio Nancy Grace Roman?
Batizado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da NASA e considerada uma das responsáveis pela criação do programa dos grandes observatórios espaciais da agência, o telescópio foi projetado para estudar fenômenos que continuam desafiando os cientistas.
Entre eles estão a energia escura e a matéria escura, componentes invisíveis que, segundo os modelos atuais, representam cerca de 95% de todo o universo conhecido.
O que é o telescópio Nancy Grace Roman?
O Nancy Grace Roman é o novo telescópio espacial da NASA criado para observar grandes áreas do céu e ajudar cientistas a investigar alguns dos maiores mistérios do universo.
Estudar energia escura, matéria escura e a expansão do universo.
Terá campo de visão cerca de 100 vezes maior que o do Hubble.
Também deve ampliar a descoberta de planetas fora do Sistema Solar.
Apesar de dominarem a composição do cosmos, esses fenômenos ainda não podem ser observados diretamente, sendo identificados apenas pelos efeitos que provocam sobre galáxias, estrelas e outros corpos celestes.
A missão do Roman será justamente coletar informações capazes de ajudar os pesquisadores a compreender melhor essas estruturas invisíveis.
Uma visão muito maior do universo
Embora possua um espelho principal de 2,4 metros de diâmetro (exatamente o mesmo tamanho do utilizado pelo famoso telescópio Hubble), o Nancy Grace Roman foi desenvolvido com uma proposta diferente.
Enquanto o Hubble costuma registrar pequenas áreas do espaço com grande riqueza de detalhes, o novo observatório funcionará como uma gigantesca câmera panorâmica do universo.
Segundo a NASA, seu campo de visão será cerca de 100 vezes maior que o do Hubble, permitindo observar regiões muito mais amplas do céu em uma única imagem.
Roman x Hubble: o que muda na observação do espaço
Espelho principal
2,4 metros
2,4 metros
Campo de visão
Mais estreito e detalhado
Cerca de 100 vezes maior
Função principal
Observar regiões específicas do espaço
Mapear bilhões de objetos cósmicos
Na prática, isso significa que o telescópio conseguirá mapear bilhões de galáxias e produzir um retrato sem precedentes da estrutura do universo.
Para ilustrar a diferença, uma área da galáxia de Andrômeda que exigiu centenas de imagens do Hubble para ser registrada poderá ser observada pelo Roman com apenas algumas fotografias.
Em busca das respostas mais difíceis da astronomia
Uma das principais metas da missão será investigar por que o universo parece estar se expandindo cada vez mais rápido.
A descoberta dessa aceleração surpreendeu a comunidade científica no fim dos anos 1990 e levou à criação da teoria da energia escura, uma força ainda desconhecida que estaria impulsionando essa expansão.
O Nancy Grace Roman deverá observar bilhões de objetos cósmicos e milhares de explosões estelares conhecidas como supernovas para ajudar a entender se essa teoria está correta ou se há fenômenos ainda desconhecidos influenciando o comportamento do cosmos.
Os dados também poderão auxiliar os cientistas a refinar modelos sobre a formação das galáxias e a evolução do universo desde os seus primeiros bilhões de anos.
Caçador de novos planetas
Além de investigar os grandes mistérios cosmológicos, o observatório terá uma importante missão na busca por exoplanetas (planetas que orbitam estrelas fora do Sistema Solar).
Atualmente, cerca de 6 mil desses mundos já foram confirmados, mas os cientistas acreditam que existam bilhões deles espalhados apenas pela Via Láctea.
Para ampliar essa busca, o Roman contará com um equipamento capaz de reduzir o brilho intenso das estrelas e facilitar a observação direta dos planetas ao redor delas.
A tecnologia servirá também como laboratório para futuras missões espaciais dedicadas à procura de ambientes semelhantes à Terra e, eventualmente, de sinais que possam indicar condições favoráveis à vida.
Uma avalanche de dados científicos
Quando entrar em operação, o telescópio enviará aproximadamente 1,4 terabyte de dados por dia para a Terra.
Ao longo dos cinco anos iniciais da missão, a expectativa é que sejam gerados cerca de 20 petabytes de informações, volume suficiente para transformar o Nancy Grace Roman em um dos maiores produtores de dados científicos da história da astronomia.

Para lidar com essa quantidade de informações, a NASA utilizará sistemas em nuvem e ferramentas de inteligência artificial que ajudarão a processar, organizar e disponibilizar os dados para pesquisadores de todo o mundo.
Segundo a agência espacial, a proposta é democratizar o acesso às descobertas, permitindo que cientistas, professores e estudantes tenham acesso simultâneo ao material produzido pela missão.
Reta final para o lançamento
Nos próximos meses, engenheiros da NASA realizarão inspeções detalhadas nos sistemas ópticos, eletrônicos e mecânicos do observatório para garantir que nenhum componente tenha sido afetado durante o transporte até a Flórida.
Após o lançamento, previsto para 30 de agosto, o telescópio viajará até o chamado ponto de Lagrange L2, localizado a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde ficará posicionado para realizar suas observações.
Próximos passos do telescópio Nancy Grace Roman
O telescópio chegou ao Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida.
O observatório passará por testes finais, inspeções, abastecimento e preparação para o lançamento.
A missão tem lançamento previsto a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX.
A NASA espera divulgar as primeiras observações feitas pelo novo telescópio espacial.
Antes de iniciar oficialmente os trabalhos científicos, o equipamento passará por um período de resfriamento, calibração e testes operacionais.
A expectativa é que as primeiras imagens e resultados da missão sejam divulgados ainda no fim de 2026, inaugurando uma nova etapa na exploração espacial e no estudo dos maiores mistérios do universo.
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