Óleo extraído do jacaré-do-pantanal ajuda na cicatrização e depressão, aponta pesquisa
O óleo usado na pesquisa foi extraído das vísceras do réptil já abatido por criadouros
Uma pesquisa inédita, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), identificou diversos benefícios à saúde humana no óleo extraído do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare).
A pesquisa, realizada com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Mato Grosso (Fapemat), descobriu que o líquido viscoso extraído do réptil tem potencial poder cicatrizador, atua como antidepressivo, no combate a doenças inflamatórias e pode ajudar na regulação do colesterol.

Óleo do jacaré-do-pantanal: composição e benefícios
Segundo o professor Fabricio Rios-Santos, especialista em farmacologia e imunofarmacologia da UFMT, o óleo de jacaré apresenta um perfil único de ácidos graxos essenciais:
Esses ácidos graxos têm potencial para propriedades medicinais e nutracêuticas, sendo estudados em cicatrização, suporte cardiometabólico e saúde neuropsiquiátrica.
Fonte: professor Fabricio Rios-Santos, UFMT
Com o avanço das conversas com o pesquisador da Unemat, Fabricio passou a orientar um mestrando envolvido no projeto, onde descobriu que o óleo era extraído das vísceras do réptil já abatido por criadouros.
Jacaré-do-Pantanal: uma espécie emblemática da biodiversidade pantaneira. (Foto: Fabricio Rios-Santos).
“Aquilo me chamou muita atenção porque não estávamos falando somente não de uma nova matéria-prima para a indústria farmacêutica, mas também de uma coisa chamada sustentabilidade”, disse ao Primeira Página.
A partir de então, os pesquisadores foram investigar mais o uso do óleo do jacaré-do-pantanal e descobriram ele já era usado pelas comunidades ribeirinhas e indígenas. Ouça abaixo:
Professor fala sobre pesquisa com jacaré-do-pantanal
Crédito: Primeira Página
O projeto iniciou há cerca de quatro anos, com pesquisa ainda de etnoconhecimento, validação, de extração do óleo e caracterização química, e só tomou impulso há cerca de dois anos, quando ganhou apoio da Fapemat.
Publicações já saíram em revistas internacionais como Journal of Etnopharmacology. Agora, a pesquisa entra na etapa de validação para colocar o produto no mercado.
“Temos muito jacaré, o povo tem medo. Então vamos deixar o bichinho mais simpático para a sociedade”, brincou o professor.
Jacaré-do-pantanal
O jacaré-do-Pantanal (Caiman yacare), também conhecido como jacaré-do-paraguai, caimán ou jacaré-piranha, devido aos seus pontudos dentes, habita a parte central da América do Sul, norte da Argentina, sul da Bolívia e região centro-oeste do Brasil, chegando até o sul da Bacia Amazônica, especialmente na planície pantaneira.
De acordo com o Instituto SOS Pantanal, esta espécie de jacaré pode atingir até três metros de comprimento e pesar 300 kg. Seu padrão de coloração é bastante variado, apresentando o dorso escuro, com faixas transversais amarelas.
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