Projeto aposta no hidrogênio verde para melhorar a queima do GLP e reduzir CO₂
A combinação entre GLP e hidrogênio verde é vista como estratégica para acelerar a transição energética sem abrir mão de uma fonte já consolidada no mercado
A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) inaugura nesta terça-feira (5) o Laboratório Modular COPA H₂, um projeto inovador desenvolvido em parceria com a Copa Energia. A iniciativa marca um avanço importante na pesquisa por soluções energéticas mais limpas, ao focar na mistura entre o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), amplamente conhecido como gás de cozinha, e o hidrogênio verde renovável.

O novo laboratório nasce com a proposta de se tornar um centro de excelência, reunindo pesquisadores e estudantes em torno de um objetivo comum de desenvolver alternativas energéticas que aliem sustentabilidade, eficiência e viabilidade econômica. A combinação entre GLP e hidrogênio verde é vista como estratégica para acelerar a transição energética sem abrir mão de uma fonte já consolidada no mercado.
De acordo com o coordenador do projeto, Cauê Martins, o hidrogênio desempenha um papel fundamental na melhoria do desempenho do GLP.
“O hidrogênio melhora a queima do GLP. Ele age tanto como um co-combustível quanto como um catalisador. O resultado disso é uma queima mais limpa”, explica. Segundo ele, essa combinação contribui diretamente para a redução de emissões de poluentes, como dióxido de carbono (CO₂) e óxidos de nitrogênio (NOx), gerando benefícios ambientais relevantes para a sociedade.
A proposta também dialoga com desafios globais, como a descarbonização da matriz energética. Para o diretor de Biometano e Inovação da Copa Energia, Luiz Felipe Pellegrini, o projeto representa um caminho prático para equilibrar inovação e uso de infraestrutura já existente.
“A gente fala de um projeto onde queremos misturar dois combustíveis. Estamos buscando atacar tanto a descarbonização com o uso do hidrogênio verde quanto aproveitar um combustível já amplamente utilizado na indústria”, afirma.
Pellegrini destaca ainda que a iniciativa pode trazer ganhos em segurança energética. “A ideia é oferecer aos clientes o benefício dos dois combustíveis, aumentando a segurança energética com uma menor pegada de carbono”, completa.
Pesquisa de inovação
O foco central das pesquisas é o chamado “blend”, uma mistura de hidrogênio e GLP. O uso do hidrogênio verde, produzido de forma sustentável, visa reduzir as emissões de gases durante a combustão, tornando o setor energético menos poluente.
Em entrevista ao Papo das 7, quadro do Bom Dia MS, a reitora da UFMS, Camila Ítalo, reforçou que a tecnologia busca otimizar a eficiência energética e oferecer monitoramento de créditos de carbono.
Um dos diferenciais do projeto é a preocupação com a aplicabilidade real no mercado. A equipe de pesquisadores está desenvolvendo um equipamento que permite a inclusão automática do hidrogênio na rede de GLP, ou seja, sem alterar a infraestrutura de distribuição existente ou os aparelhos dos consumidores.
“A gente já tem o resultado dessas misturas e agora a equipe tem se desdobrado na confecção, na implementação de um equipamento em que a gente vai fazer a inclusão desse hidrogênio na rede de GLP de forma automática sem mudar a estrutura, levando aí sustentabilidade, monitoramento de crédito de carbono e avaliando eficiência dessa mudança da matriz energética.”
O projeto tem uma duração total prevista de 40 meses, dos quais 20 já foram concluídos. O laboratório inaugurado nesta terça-feira é mais uma etapa.
Durante a primeira metade do projeto, o laboratório foi construído e diversos testes de queima e segurança foram realizados para definir o percentual ideal da mistura. A expectativa é que, dentro de no máximo um ano, os primeiros equipamentos comecem a ser instalados nas casas dos consumidores para monitoramento em campo.
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