Rochas vulcânicas do Brasil podem ajudar a reduzir emissões de CO₂, aponta estudo

A pesquisa se inspira em experiências internacionais, como as instalações de captura de carbono na Islândia que conseguem transformar o CO₂ em cristais sólidos.

Um projeto da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) busca transformar rochas vulcânicas em ferramentas para reduzir o dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, oferecendo soluções brasileiras para enfrentar as mudanças climáticas.

O estudo é coordenado pelo Professor Dr. Lucas Rossetti, da Faculdade de Geociências, e se concentra no potencial das rochas basálticas da Bacia do Paraná para o sequestro geológico de CO₂ por meio da mineralização de carbonatos.

Design sem nome 2025 09 25T102705.334
Pesquisador da UFMT investiga armazenamento de carbono em lavas basálticas brasileiras.
(Foto: Acervo Pessoal)

A pesquisa se inspira em experiências internacionais, como as instalações de captura de carbono na Islândia, desenvolvidas pela empresa suíça Climework e operadas pela Carbfix, que conseguem transformar o CO₂ em cristais sólidos ao injetá-lo em rochas vulcânicas a cerca de 700 metros de profundidade. Rossetti visitou recentemente essas instalações para estudar sua operação e avaliar a viabilidade de aplicação de tecnologias semelhantes no Brasil.

“Foi uma experiência muito enriquecedora. Pudemos acompanhar uma tecnologia pioneira e analisar como adaptá-la para o contexto brasileiro”, afirmou o pesquisador.

Hoje, as instalações na Islândia capturam até 36 mil toneladas de CO₂ por ano, uma fração diante das 37 bilhões de toneladas de emissões globais em 2023, mas suficiente para orientar pesquisas de captura e armazenamento de carbono (CCS) em outros países.

Design sem nome 2025 09 25T102741.219
Na imagem, vemos duas amostras de rocha ígnea. A de cima ainda apresenta os poros abertos, enquanto a de baixo mostra esses espaços já preenchidos por minerais formados a partir da fixação do CO₂.
(Foto: Acervo Pessoal)

O método utiliza os minerais presentes nas rochas vulcânicas — como magnésio, cálcio e ferro — para reagir com o CO₂ dissolvido em água, transformando o gás em um sólido estável. As fissuras e poros das lavas basálticas funcionam como reservatórios naturais, permitindo o armazenamento de carbono por longos períodos.

No Brasil, a equipe de Rossetti realiza trabalhos de campo no Vale do Rio Antas (RS), região com registros de antigas erupções vulcânicas. Resultados preliminares, publicados na Journal of South American Earth Sciences e apresentados na 5ª Conferência de Transição Energética Global da EAGE, mostram que algumas áreas das lavas mantêm porosidade significativa, enquanto outras tiveram seus espaços preenchidos ao longo do tempo, influenciando a capacidade de armazenamento.

Design sem nome 2025 09 25T102818.511
Esquema Ilustrativo do processo de captura de CO₂. Fonte: Adaptado de Sandra Snæbjörnsdóttir.

O projeto, financiado pela Petrobras, envolve pesquisadores da UFMT, Unipampa, UFRGS e UFRJ, além de estudantes de iniciação científica. Segundo Rossetti, a iniciativa não só contribui para a mitigação de gases de efeito estufa, mas também fortalece a pesquisa brasileira em tecnologias de baixo carbono, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

“Nosso objetivo é entender como o subsolo brasileiro pode se tornar uma solução natural para o armazenamento de CO₂, abrindo caminho para uma economia mais limpa e sustentável”, explicou Rossetti.

Leia mais

  1. UFMT Sinop vai receber R$ 815 mil para complexo de laboratórios

  2. Mostra na UFMT destaca vozes indígenas, quilombolas e ribeirinhas; garanta ingresso

  3. Homem suspeito de matar e estuprar mulher dentro da UFMT é indiciado

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Ciência!

  1. Prêmio 'Carolina Bori Ciência & Mulher' está com inscrições abertas até 30 de outubro deste ano. - Foto: Ilustrativa/Canva

    Quer seguir carreira científica? Prêmio para estudantes oferece até R$ 13 mil

    Jovens estudantes podem se inscrever até 30 de outubro em prêmio de...

  2. primeira pagina 2026 09 05T165219.937

    Eclipse solar pode transformar dia em noite por mais de 6 minutos; veja lista de eclipses em 2027

    Em 2027, serão cinco eclipses, sendo dois solares e três lunares, segundo...

  3. primeira pagina 2026 09 04T180401.150

    Chuva do caju e da manga: entenda por que primeiras pancadas anunciam fim da seca em MT

    Na cultura popular, esse período é conhecido por expressões como "chuva do...

  4. Cientistas detectam possível indício de matéria escura nos EUA

    A 1,5 km abaixo da Terra, cientistas encontram possível pista da matéria escura

    Experimento instalado a 1,5 km de profundidade registrou uma colisão que pode...

  5. ESO 137-001, galáxia água-viva descoberta em 2005. (Foto: NASA)

    "Frente fria" no espaço? Fenômeno gigante está mudando galáxias e intriga cientistas

    Uma espécie de "frente fria" atravessa galáxias no espaço e pode provocar...