'A Mão que Balança o Berço': um remake que não diz a que veio

A releitura do clássico suspense de 1992 conta a história de uma mulher que se infiltra na casa de uma família como babá para por em prática seus verdadeiros planos.

Lançado de forma discreta na última quarta-feira (19), direto no streaming, o remake de “A Mão que Balança o Berço” não tem o charme do original de 1992. A fragilidade do roteiro faz com que a nova versão pareça releitura de outro filme, desde a mudança nos nomes dos personagens até o novo plot twist. Isso poderia representar uma novidade interessante, mas acaba resultando em uma experiência decepcionante.

Remake de "A Mão que Balança o Berço" está disponível no streaming. - Foto: Divulgação/Hulu
Remake de “A Mão que Balança o Berço” está disponível no streaming. – Foto: Divulgação/Hulu

O roteiro é assinado por Micah Bloomberg, baseado na história original de Amanda Silver (“Jurassic World”), enquanto a direção fica a cargo de Michelle Garza Cervera, cineasta mexicana conhecida pelo aclamado terror “Huesera”. Mesmo assim, o resultado não consegue evidenciar o talento do elenco competente, formado por Mary Elizabeth Winstead (“Premonição 3”, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” e “Rua Cloverfield, 10”), Mayka Monroe (“Corrente do Mal” e “Longlegs: Vínculo Mortal”) e Raúl Castillo (“Looking” e “Sorria 2”). Os três entregam boas atuações, apesar do enredo confuso e cansativo.

A premissa é basicamente a mesma do original, uma babá, aqui chamada Polly (Monroe), começa a trabalhar na casa de Caitlyn (Winstead) e Miguel (Castillo) para cuidar das filhas do casal e, aos poucos, revela intenções obscuras contra a família. No entanto, a semelhança entre os dois filmes para por aí.

A versão original de "A Mão que Balança o Berço" foi lançada em 1992 - Foto: Divulgação
A versão original de “A Mão que Balança o Berço” foi lançada em 1992 – Foto: Divulgação

É possível perceber uma tentativa de modernização, trazendo temas como depressão pós-parto, rotina familiar e até bissexualidade. No entanto, tudo é apresentado de forma superficial e perdida, sem qualquer aprofundamento, parecendo tópicos aleatórios. Em uma cena, a protagonista toma remédios e vive uma crise no relacionamento, mas nunca entendemos o real motivo daquele comportamento. Em outra, a vilã sabota a comida e tenta seduzir o patrão, mas suas motivações permanecem nebulosas, mesmo quando o filme finalmente explica seu objetivo, certas decisões continuam sem sentido.

O ritmo do filme também não colabora. A trama demora a engatar e faz 1 hora e 45 minutos parecer 3 horas. Nada remete ao original, exceto talvez a nostalgia que bate enquanto você percebe que poderia estar revendo o filme de 1992. Diálogos fracos, suspense pouco envolvente e uma revelação final confusa, que mais abre dúvidas do que esclarece.

Algumas atitudes dos personagens também são questionáveis e nada verossímeis, ainda que falta de inteligência seja um clichê recorrente em filmes de suspense ou terror. Começando por Miguel, que parece não acreditar na esposa, com quem é casado há anos, e prefere confiar em uma estranha recém-chegada. Caitlyn também não foi das mais criteriosas na hora de colocar uma desconhecida dentro de casa para cuidar de suas filhas, mas o destaque vai para Stewart (Martin Starr), amigo de Caitlyn, que sofre as consequências por não tomar a melhor das decisões.

"A Mão que Balança o Berço" (2025). - Foto: Divulgação/Hulu
“A Mão que Balança o Berço” (2025). – Foto: Divulgação/Hulu

Na reta final, o filme tenta acelerar e até entrega duas ou três cenas impactantes, mas a essa altura, a sensação é só de que o filme acabe logo. E quando acaba, a pergunta é: precisava desse remake?

“A Mão que Balança o Berço”, de 2025, está disponível no Disney+. O legal é que a versão original também está na plataforma, então é possível assistir ambos e decidir qual é o melhor.

Assista ao trailer da nova versão:

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