A Própria Carne tem vilão perfeito

Luiz Carlos Persy vive fazendeiro inteligente, astuto e sem qualquer piedade no filme nacional A Própria Carne.

Vilões são sempre mais interessantes que os mocinhos nos filmes de terror.

Nem dá para discutir isso.

E, quando vi o trailer de A Própria Carne, fiquei completamente vidrado no fazendeiro vivido por Luiz Carlos Persy.

A aparência suja, a voz marcante e o olhar de maldade me fizeram aguardar um filme como há muito eu não fazia.

Até que consegui, nesta semana, ir a uma sessão noturna no cinema para comprovar todas as minhas expectativas.

A Própria Carne é uma produção nacional que nasceu da união dos criadores do site Jovem Nerd com um dos fundadores de A Porta dos Fundos.

Alexandre Ottoni e Deive Pazos tinham a ideia de trabalhar com cinema. Encontraram Ian SBF, que tinha um roteiro pronto.

A conexão foi imediata. Ainda bem!

A Própria Carne se sai muito bem, mesmo estreando em um ano generoso para o terror, com filmes estrangeiros como A Hora do Mal, Faça Ela Voltar, Bom Menino, Juntos e, claro, Pecadores.

A produção nacional narra a infeliz saga de três soldados brasileiros que desertam durante a Guerra do Paraguai.

Na tentativa de escapar das tropas, eles acabam cometendo um crime ainda pior e têm como única saída o refúgio na casa do fazendeiro, até que a noite passe e o ferimento de um deles seja amenizado.

A atmosfera do filme é o segundo maior destaque da produção. Sim, vou insistir em Luiz Carlos Persy como o principal motivo para assistir à película.

O clima que envolve a saga dos três desertores é sufocante.

Os três desertores chegam na casa do fazendeiro no filme A Própria Carne.

O perigo, o medo e a desconfiança estão no ar o tempo todo. Transpõem a tela e chegam ao público.

Você não sabe em que está se metendo.

Não faz ideia do que vai acontecer, nem quais os motivos que resultam naquele cenário sujo, escuro e desesperador da moradia do fazendeiro.

Moradores estranhos, portas trancadas com correntes e cadeados.

E… Persy.

O fazendeiro se diz um homem frágil. Isso até poderia ser compreendido pela paralisia que traz em um dos braços.

Mas algo nele demonstra uma força capaz de dar medo nos três homens.

E não porque ele carrega a espingarda o tempo todo, mas sim pela perspicácia, pela inteligência demonstrada em diálogos ácidos e provocadores, num morde e assopra constante e enervante.

Luiz Carlos Persy é um famoso dublador.

Já foi a voz de Voldemort, em Harry Potter, e de Joel, em The Last of Us.

A frase “Fica quietinho aí!”, que já aparecia no trailer, com sua voz rouca característica, é de arrepiar.

E a didática com que explica à vítima como vai esquartejá-la é de uma frieza digna de qualquer psicopata.

Aos 61 anos, esse carioca rouba a cena e faz com que a gente queira mais do fazendeiro.

Luiz Carlos Persy no set de A Própria Carne vestindo casaco, óculos escuros e uma espingarda no ombro.
No set de A Própria Carne, Persy faz cosplay de Joel, de The Last of Us. (Foto: Rede Social)

Uma prequel explicando sua missão naquela casa sinistra seria maravilhoso!

Aliás, o cenário é real. A equipe conseguiu encontrar a locação ideal na cidade de Farroupilha. Sinistro!

Novos filmes baseados neste estão nos planos?

Os produtores não garantem, nem descartam.

Mas um universo de A Própria Carne começou a ser gestado.

Uma revista em quadrinhos foi anunciada pela editora Pipoca & Nanquim.

Segundo o site Quintal do Nerd: “a HQ será uma antologia com seis histórias ambientadas no universo sombrio do longa. Quatro dessas histórias são assinadas por Marcela Godoy, roteirista da elogiada Graphic MSP Papa-Capim: Noite Branca. O projeto também conta com roteiros de Ian SBF (Porta dos Fundos, Sociedade da Virtude e diretor do filme) e Leonel Caldela, autor consagrado no universo de Tormenta.”

O trio de atores que interpreta os desertores descansa no set de A Própria Carne.
O trio de atores que interpreta os desertores descansa no set de A Própria Carne. (Foto: Redes Sociais)

É muito bom saber que o Brasil, que vem se destacando internacionalmente em obras como Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto e Apocalipse nos Trópicos, também mostra qualidade no terror.

Ainda é cedo para sonhar com um Oscar para Persy, a exemplo do que quase aconteceu com Fernanda Torres e do que pode acontecer com Wagner Moura.

Mas fica o reconhecimento desta coluna.

Que esse fazendeiro maldito colha muitas e muitas outras vidas… ops!… conquistas!

Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Toda Sexta é 13, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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