Após fim das filmagens de documentário sobre vida das onças-pintadas, cineasta relata saudade de Marcela
O documentário "Marcha das Onças" deve ser lançado ainda no fim deste ano e acompanha a rotina de felinos no Parque Estadual Encontro das Águas, entre Poconé e Barão de Melgaço.
O cineasta Lawrence Wahba, diretor do documentário Marcha das Onças, com previsão de lançamento para o fim deste ano, relatou a saudade de Marcela, uma das felinas que terá a vida retratada no longa.
O documentário será o primeiro produzido inteiramente na América Latina, com direção brasileira, e retratará a rotina de onças-pintadas no Parque Estadual Encontro das Águas, entre os municípios de Poconé e Barão de Melgaço.

Em uma publicação no Instagram, Lawrence relembrou que conheceu a onça Marcela em setembro de 2021, quando ela ainda era filhote e mamava. “Nem imaginava que ela iria mudar minha vida. De lá pra cá foram 31 viagens ao Porto Jofre, acompanhando a vida dela”, escreveu.
O documentário, que está em produção há pelo menos cinco anos, deve chegar em breve ao streaming. Após o fim das filmagens, Lawrence contou que retornou ao Pantanal na semana passada e teve o privilégio de acompanhar Marcela por sete horas.
“Estou em casa, com saudades e certo de que não dei adeus a Marcela, e sim um até logo”, disse.
Sobre o documentário
Além de Marcela, entre os animais que aparecem no material está Jaju, uma das fêmeas mais conhecidas do Pantanal, monitorada por pesquisadores e fotógrafos da região havia anos, antes mesmo do documentário. Ao lado dela aparece Âmbar, também fêmea adulta, em registros que mostram a relação entre as duas.
A escolha por acompanhar indivíduos já identificados pela comunidade científica local permitiu à produção registrar comportamentos de longo prazo, algo raro em documentários de natureza gravados em prazos mais curtos.

Segundo o diretor Lawrence Wahba, a equipe realizou nove expedições ao Pantanal desde 2021 para captar o material do documentário. Ao todo, foram acumuladas centenas de horas de filmagem ao longo desse período.
Cada expedição contou com equipe completa de quatro cinegrafistas, além de câmeras estabilizadas instaladas em barcos, drones para tomadas aéreas, microcâmeras para close-ups e lentes específicas para captar os animais a distâncias seguras.
O sistema de estabilização das câmeras foi apontado como um dos diferenciais técnicos da produção, permitindo imagens estáveis mesmo em deslocamentos por rios e áreas alagadas do bioma.

Parte do material reunido mostra as onças em situações de disputa com outros predadores do Pantanal, incluindo sucuris e jacarés, animais que dividem o topo da cadeia alimentar na região com os felinos.
Esses confrontos fazem parte da rotina de sobrevivência das onças no bioma, já que caçam frequentemente próximo a corpos d’água, onde competem por território e presas com répteis de grande porte.
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