Bonito Cinesur: diretor de Honestino diz que filme ilumina capítulo ainda oculto da ditadura militar
Aurélio Michiles afirma que longa mistura ficção e documentário para resgatar a trajetória de Honestino Guimarães e refletir sobre os impactos do regime militar
Responsável pela direção de “Honestino“, Aurélio Michiles afirma que o longa nasceu da necessidade de revisitar um período que, segundo ele, ainda permanece pouco conhecido pelos brasileiros. O filme, que teve pré-estreia neste sábado (25) durante o 4º Bonito Cinesur e chega aos cinemas em 13 de agosto, retrata a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido durante a ditadura militar.

“Esses 21 anos de ditadura foram anos tão duros, tão violentos, e grande parte desse período ainda permanece dentro de uma caixa-preta. Não há nada mais importante do que falar sobre isso.”
Para o diretor, a história de Honestino representa a de milhares de brasileiros perseguidos pelo regime.
“Ele foi assassinado aos 26 anos e seu corpo nunca foi encontrado. Mas não foi só Honestino. Houve centenas e milhares de brasileiros presos, torturados e assassinados.”
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Ficção e documentário na mesma narrativa
Michiles explica que a obra combina linguagem documental e ficcional para reconstruir a trajetória do estudante e, ao mesmo tempo, contextualizar o período histórico.
Segundo ele, essa escolha amplia as possibilidades de diálogo com o público.
“O filme mostra que, nos momentos de maior escuridão e violência, o que resta para nós é sonhar com novas possibilidades. É daí que surgem pessoas como Honestino.”
O diretor acredita que revisitar esse passado também é uma forma de compreender o presente.
“Vivemos um momento em que ideologias totalitárias e violentas voltam a ganhar espaço. O filme traz uma luz para que essa escuridão seja iluminada.”

O maior prêmio é chegar ao público
Aurélio Michiles afirma que concluir a produção já representa uma vitória diante das dificuldades enfrentadas pelo cinema brasileiro.
“Fazer um filme no Brasil é muito difícil. Conseguir realizar Honestino já foi o meu maior prêmio.”
Mais do que conquistar festivais, ele diz esperar que o longa encontre seu público nas salas de cinema.
“O grande prêmio será ver as pessoas assistindo ao filme e reconhecendo ali uma parte da história do Brasil.”
A escolha de Bruno Gagliasso
Segundo o diretor, Bruno Gagliasso foi escolhido após um longo processo de criação, que envolveu a construção estética e narrativa da obra.
Michiles conta que conheceu o ator por intermédio do cineasta Sérgio Machado e que a identificação foi imediata.
“Na nossa conversa percebemos que tínhamos muitas coisas em comum. A principal delas era fazer Honestino.”
O diretor lembra que, na época do primeiro encontro, Gagliasso havia emagrecido cerca de 17 quilos para interpretar outro personagem no cinema, mas demonstrou disposição para assumir a transformação necessária para viver Honestino.
“Foi um encontro em que encontrei não apenas um ator, mas também um amigo.”
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