Crítica | Invocação do Mal 4: O Último Ritual entrega um adeus emocionante aos Warren

O quarto capítulo da franquia equilibra sustos e emoção, fechando a saga com coração e química impecável

Invocação do Mal 4: O Último Ritual não chega como um simples novo capítulo. Chega carregando o peso de encerrar uma das histórias de terror mais queridas da última década. O filme não disfarça seu objetivo. Ele quer dar um adeus aos Warren, não apenas fechar um caso. E, para mim, é justamente aí que ele funciona melhor.

O terror está lá, claro, com os sustos bem posicionados e a atmosfera que ainda sabe como mexer com o silêncio, com a expectativa e com os reflexos na tela. Michael Chaves, depois de algumas tentativas menos inspiradas finalmente acerta o tom. Ele não busca chocar o tempo todo. Ele deixa a tensão ferver em fogo baixo, aposta mais no desconforto do que no barulho. Quando a câmera se detém, quando a escuridão ocupa mais espaço do que o próprio demônio é que o filme mostra a que veio.

Patrick Wilson e Vera Farmiga em Invocação do Mal 4. Foto: Reprodução/Warner Bros. Pictures
Patrick Wilson e Vera Farmiga em Invocação do Mal 4.
Foto: Reprodução/Warner Bros. Pictures

Mas o que faz Invocação do Mal 4 funcionar de verdade não é o horror. É o coração. Patrick Wilson e Vera Farmiga continuam absolutamente magnéticos. Carregam cada cena com uma química que não depende de efeitos e não precisa de truques. Aqui, vemos Ed e Lorraine não apenas como caçadores de demônios, mas como duas pessoas marcadas pelo tempo, pelo medo, pela fé e pelo amor que sempre os manteve de pé. É uma despedida que entende que o público não está se conectando apenas com o medo, mas com as pessoas por trás dele.

Há problemas, claro. Algumas escolhas de roteiro soam previsíveis, e certos momentos parecem feitos apenas para agradar os fãs com piscadelas para o passado. O clímax, embora funcional, não é dos mais ousados. Mas nada disso quebra a sensação de encerramento digno. Há cuidado, há intenção, há respeito pelo universo que foi construído.

Saí do cinema com a sensação de que a franquia fez as pazes consigo mesma. Não tentou reinventar a roda. Não quis fazer maior, mais barulhento, mais agressivo. Preferiu ser íntima, fechar um ciclo com a mesma mistura de susto e afeto que conquistou o público lá atrás.

Invocação do Mal 4 não é o mais assustador da série. É, sem dúvida, o mais humano. E talvez seja exatamente isso que esse adeus precisava ser.

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