De documentário sobre antigos moradores à oficina do Cinesur: bonitense busca novo olhar para contar histórias
Fernanda Reverdito participa da oficina de Luiz Carlos Lacerda para ampliar a forma de narrar a história de Bonito
A preservação da memória de Bonito levou a contadora de histórias Fernanda Reverdito ao cinema. Ela participa neste sábado (25) da oficina de produção de documentários ministrada pelo cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, durante o 4º Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano.

O interesse pelo audiovisual surgiu há mais de duas décadas, quando ela e a mãe produziram um documentário para registrar as histórias dos antigos moradores da cidade.
“O nosso trabalho começou com um documentário sobre a memória dos antigos moradores de Bonito. Eram pessoas entre 75 e 108 anos”, relembra.
A iniciativa deu origem à Casa da Memória Raída, um espaço cultural que recebe estudantes, pesquisadores e visitantes interessados em conhecer a história do município para além dos atrativos naturais.
“Hoje a gente abre as portas da nossa casa para receber escolas, universidades e visitantes. Também levamos esse trabalho para outros espaços, com uma mala de memória, fazendo contação de histórias e incentivando a leitura.”
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Um novo jeito de olhar com o Cinesur
Mesmo já tendo experiência com produção documental, Fernanda decidiu participar da oficina para ampliar o repertório e experimentar novas formas de construir narrativas.
Segundo ela, as primeiras atividades já provocaram uma mudança na maneira de enxergar o documentário.
“Ele coloca a gente num lugar de desconstrução. Faz a gente olhar para as coisas de uma forma mais natural, mais orgânica.”
A participante afirma que pretende aplicar os novos aprendizados aos projetos desenvolvidos pela Casa da Memória.
“Já estou revendo algumas coisas e pensando diferente. A forma de olhar para as pessoas, para o nosso lugar e para os depoimentos muda bastante.”
Histórias que permanecem
Para Fernanda, o documentário produzido há mais de 20 anos ganhou ainda mais importância com o passar do tempo. Muitos dos moradores entrevistados já faleceram, tornando os registros um patrimônio da memória da cidade.
“A maior parte dessas pessoas já não está mais aqui. O documentário acabou preservando essas histórias.”
Agora, a expectativa é utilizar os conhecimentos adquiridos no Bonito Cinesur para continuar registrando personagens e narrativas que ajudam a contar a história de Bonito sob a perspectiva de quem vive na cidade.
“Queremos despertar tanto na comunidade quanto nos visitantes o interesse pela história de Bonito. As pessoas vêm pelas belezas naturais, mas também podem se encantar com a memória e com o povo daqui.”
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