Juntos vai te grudar na tela
Filme usa o terror corporal para explorar os limites dos relacionamentos amorosos
Juntos, um dos melhores filmes de terror do ano, é uma história de amor.
Mas do jeito que o fã de horror adora, com sangue e sons de ossos quebrados.
Fala sobre a busca da alma gêmea e como muitas vezes a deixamos escapar.
Sabe quando deixamos nosso relacionamento em banho maria?
Nessa situação, geralmente, dois desfechos acontecem:
a) ele não resiste e o rompimento é inevitável ou
b) algo marcante acontece e o casal acaba por redescobrir o amor e renovar a união
E é a segunda alternativa o caso do filme do diretor estreante Michael Shanks.
Só que se unir aqui, é no sentido literal.
Millie (Alison Brie), uma professora de ensino infantil idealista, resolve trocar a cidade grande por um lugarzinho no interior onde, acredita, o ensino ainda é tratado com a seriedade que merece.
Há uma década, ela se apaixonou por Tim (Dave Franco), um “adolescente” de 35 anos que ainda sonha em ser um astro da música.
Ele não quer ir, porque sabe que ficará ainda mais distante de seu objetivo.
Mas nitidamente inseguro depois do trágico fim de seus pais, ele segue Millie.
Chegando no novo lar, eles descobrem uma trilha no meio de uma floresta.

Como não tem muito mais atrações na cidadezinha, resolvem enfrentar uma delas, sem olhar a previsão do tempo.
Cai uma tempestade, eles se perdem e caem num buraco.
Precisam esperar a chuva passar para poderem sair.
Com sede, descobrem um poço com água fresca.
Pronto.
A confusão começou.
Quem viu o trailer já sabe que Millie e Tim vão começar a se atrair fisicamente de uma forma incontrolável.
Isso é ótimo, não? Um casal em crise, de repente, começar a se aproximar de novo?
Seria. Se seus ossos não quisessem fundir-se com os de sua companheira ou companheiro.
E se essa atração não transformasse a pele dos dois numa espécie de super cola.
O que uma cena angustiante no banheiro deixa claro.
É lindo pensarmos num casal como um só. Na teoria.
Juntos explora isso na prática.
Abusando – no bom sentido — do horror corporal.
As cenas em que, aos poucos, seus corpos se fundem são daquelas de fazer muita gente tirar os olhos da tela e sentir cada arrepio de dor.
Preparem-se porque que a equipe de efeitos especiais foi muito eficiente em causar esse desconforto gostoso na plateia.
Mas o que fazer, então, quando se aproximar da pessoa amada te traz dores insuportáveis?
Ficar longe, claro, mesmo que o sofrimento emocional seja, também, forte.
Mas quem disse que em Juntos, isso adianta?
A água transformou os corpos dos dois em ímãs. Mesmo contra a vontade, a atração é inevitável.
Incomodado com a situação, Tim começa a investigar o que pode ter causado isso.
E descobre que outro casal também desapareceu nas mesmas condições.
A trama vai nos levando a descobrir as causas desse martírio.
Uma conclusão bem legal, que me lembrou muito de H.P. Lovecraft, um dos mestres do horror cósmico.
A sintonia entre Brie e Franco é outro destaque.
Além do talento de cada um, o que ajudou nisso é o fato de estrem juntos também fora da tela. São casados desde 2017.

Eles nos fazem acreditar a cada minuto no que sentem.
Nos fazem torcer pela separação em alguns momentos.
E, em outros, para que encontrem o equilíbrio.
Tim e Millie trazem o combo de um relacionamento duradouro: a frustração contida, a explosão de verdades, o amor, o ódio, o desejo, a falta dele.
Uma bomba de sentimentos embalada com sustos e deformidades.
É o terror em sua essência.
Mexendo com nossas emoções.
Desde o início.
Cachorros
O filme começa com pessoas na floresta gritando o nome de um casal.
É uma busca.
E dois cachorrinhos estão entre as esperanças de farejar os alvos.
É o diretor nos preparando para o que vem pelos próximos 100 minutos.
É de cortar o coração o que acontece com eles.
E isso antes mesmo dos créditos iniciais.
Como disse, preparem-se.
Juntos vai te deixar grudado na tela.
Da primeira à última cena.
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