2 anos de luta: Homero precisou vencer covid e depressão grave para celebrar 40 anos de vida
À frente do Pantaneiros do Bem, projeto que arrecada produtos para pessoas carentes, Homero quer retribuir todo o carinho que recebeu na sua fase mais difícil
O aniversário de 40 anos que virou arrecadação de alimentos é antes de tudo motivo de vitória para Homero Parracho. O carioca, que mora em Campo Grande há mais de 20 anos, passou por muitos desafios até conseguir concluir a campanha. De uma intubação por covid-19 até uma internação por depressão no Hospital Nosso Lar, ele viveu uma verdadeira saga para se reencontrar em meio às tensões que o mundo passava.

“Eu sempre tive esse amor ao próximo. Eu perdi minha mãe muito cedo, tinha 12 anos e meu irmão 8. Mas nossa casa vivia sempre cheia, principalmente na época de Natal, sempre tinha festa e sempre desenvolvemos esse amor ao próximo”, relembra.
Foi motivado por esses ensinamentos que Homero criou o Pantaneiros do Bem, projeto que arrecada produtos para famílias carentes e teve uma edição especial no final do mês de maio, justamente no aniversário do carioca. “Desde 2012 eu faço essas arrecadações no meu aniversário. Mas, a última que eu fiz foi em outubro de 2020, na ação de Dia das Crianças”, frisa.

A última ação foi realizada apenas um mês antes de Homero contrair covid-19, em novembro de 2020. Foram dias difíceis, em que ele precisou ser entubado para sobreviver.
“Em relação à covid, eu fui contaminado em novembro de 2020, internei no hospital Rosa Pedrossian, fiquei lá quinta, sexta e sábado e a lembrança que eu tenho é só do dia que eu fui transferido para o Hospital do Pênfigo, que foi dia 15 de novembro, no dia das eleições”, frisa
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Homero conta que teve alucinações, precisou ser contido, amarrado e viveu “um processo bem doloroso”, que o marcou por muito tempo. Quando enfim, após 14 dias, conseguiu ser extubado, outras lutas estavam por vir.
Primeiro a recuperação física. Perdeu mais de 20kg de massa magra. “Meu irmão e minha cunhada abdicaram da vida deles para cuidar de mim, ficaram 20 dias aqui em casa para cuidar de mim, sai muito debilitado”.
Depois, a luta mental. Após o tratamento, o carioca percebeu que não estava bem. Sentia-se desanimado, sem vontade de trabalhar, com medo e crises de pânico frequentes. Tentou tratamento, mas acabou afastando familiares e amigos no processo. Chegou a desaparecer e pensou em suicídio. Só quando foi internado no Hospital Nosso Lar, voltou a cuidar de si.
“Trabalho vendendo doces, represento uma marca do Paraná. Eu ficava frustrado porque não conseguia reagir, evoluir, tentar sair para trabalhar. Janeiro de 2021 eu fui para uma psiquiatra porque dormia com a luz acesa. As pessoas achavam que era comodismo, hoje eu entendo que elas não sabiam lidar com a situação”.
De maio a setembro, Homero só ficou em casa. Para ele, o pior era ouvir que só dependia dele. “Eu me sentia cada vez mais frustrado. As pessoas organizavam rifa e eu não conseguia retribuir o carinho e o amor”.
A internação só veio em agosto de 2021, após idas e vindas em médicos. Foram 33 dias internado, com direito a apenas uma visita por semana. “Eu lembro que entrei 16h30 e 17h20 eu chorava desesperado para ir embora. Aos poucos fui me acalmando, dobrei o joelho e pedi a Deus que me abençoasse. Fiz terapia ocupacional, recebi atendimento psicológico, fiz educação física e fui me recuperando”, conta.

A terapia continua, assim como as metas que ele escreveu em um caderno. De lá para cá, já foram 5 tatuagens, entre elas uma fênix, o pássaro que renasce sempre.
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