4 formas de valorizar a mulher por meio da comunicação

Pequenas atitudes na linguagem podem reforçar desigualdades ou ajudar a transformá-las.

Dia Internacional da Mulher. Março, mês da mulher. Nessa época do ano vemos flores, mensagens bonitas e homenagens nas redes sociais. Tudo isso é positivo. Mas tem uma pergunta sobre a qual precisamos refletir: o que permanece nos outros 364 dias do ano?

Especialmente no Brasil, onde ainda convivemos com índices alarmantes de violência contra a mulher, precisamos falar sobre mudança cultural. E essa mudança começa e se sustenta na forma como nos comunicamos todos os dias.

Valorizar mulheres não é apenas um gesto simbólico em uma data específica. É uma prática cotidiana. A comunicação pode reforçar estereótipos e preconceitos ou ajudar a quebrá-los. Pode silenciar ou reconhecer. Pode diminuir ou fortalecer. Por isso, compartilho quatro formas de valorizar mulheres por meio da comunicação.

Comunicacao de Primeira
Mudanças simples na comunicação ajudam a fortalecer o respeito às mulheres. (imagem gerada por IA)

1. Não elogie uma mulher somente pela aparência

Elogios são bem-vindos, mas quando uma mulher é constantemente reconhecida apenas por sua aparência, outras dimensões importantes acabam invisíveis. Valorize suas ideias, sua competência, sua liderança, sua capacidade de resolver problemas. Isso amplia o espaço simbólico que ela ocupa e ajuda a mudar a forma como a sociedade enxerga o papel feminino.

2. Escute de verdade, não interrompa

Pesquisas e experiências do cotidiano mostram que mulheres são interrompidas com frequência em reuniões e conversas profissionais. Dar espaço para que uma mulher conclua seu raciocínio, reconhecer sua contribuição e retomar sua ideia quando ela é ignorada são atitudes simples, mas poderosas.

3. Nunca faça piadas ou comentários preconceituosos

Muitas formas de desvalorização se escondem no humor ou em comentários naturalizados: sobre emoção, capacidade, idade, maternidade ou aparência. O que parece pequeno pode reforçar preconceitos antigos. Machismo e misoginia só ganham força onde as mulheres são vistas como seres inferiores.

4. Reflita sobre as palavras que descrevem a violência

Comentários, manchetes e posts revelam como ainda normalizamos o inaceitável. 

“Homem descobre traição e esfaqueia mulher” não comunica o mesmo que “Marido mata mulher a facadas na frente do filho”.

“Mulher de biquíni é estuprada perto da orla” desloca, ainda que sutilmente, o foco do crime para a vítima, como se ela fosse culpada pela atitude do criminoso.

E não é apenas nos textos informativos que vemos esses absurdos. Eles também são constantes na forma como contamos esses fatos nas conversas do dia a dia ou nas redes sociais. 

Quando questionamos o comportamento da vítima ou buscamos explicações para a violência, corremos o risco de suavizar a responsabilidade de quem agride. 

A mudança cultural necessária para enfrentar a violência contra a mulher também passa por isso: rever palavras, enquadramentos e comentários, porque a comunicação não apenas descreve a realidade, ela também ajuda a moldá-la.

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Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Comunicação de primeira, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.