Ajuda da polícia fez João encontrar o pai após 12 anos e conhecer os irmãos

Jovem e o irmão foram levados pela mãe de Aquidauana para Campo Grande; Polícia Civil levou três dias para encontrar o pai

Foram 12 anos afastados, sem notícias, nem abraços. Mas, na manhã desta terça-feira (7), pai e filho tiveram um grato reencontro, na cidade de Aquidauana, a 136 km de Campo Grande. Emoção que foi possível graças ao desejo do servente de pedreiro João Victor Menezes Henrique, de 20 anos, de esclarecer confusão familiar que acabou afastando ele e o irmão, hoje com 16 anos, do pai.  

Gilson, à esquerda, ao lado do filho, João Victor; os dois tiveram ajuda da Polícia Civil para reencontro, após 12 anos (Foto: Arquivo Pessoal)
Gilson, à esquerda, ao lado do filho, João Victor; os dois tiveram ajuda da Polícia Civil para reencontro, após 12 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

A força-tarefa para encontrar o também pedreiro Gilson Amorim Henrique, de 47 anos, começou há cerca de um mês. Mas, foi na semana passada, e com a ajuda da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio) que, em três dias, João Victor recebeu a notícia que tanto esperava: o pai estava vivo e morando na mesma cidade de onde ele tinha sido levado pela mãe.

“Quando eu tinha de 6 para 7 anos, minha mãe teve um conflito com minha avó e teve que sair de casa. Com isso, ela deixou a gente com meu pai”, conta. “Uns anos depois, ela foi até Aquidauana nos visitar, pegou a gente meio que escondido e nos levou embora”, relembra, citando os desencontros da vida que acabam levando à falta de convívio entre familiares.

Vivendo em Campo Grande, os irmãos moraram em mais de um endereço, o que dificultou o pai de localizar os filhos. “Nas vezes que eu tentei ir, não me deixaram ver ninguém. Fui umas quantas vezes. E, geralmente, já estavam em outros lugares, eu chegava e já tinham se mudado”, afirmou Gilson. 

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Pouco mais de uma década após o último contato, a missão “reencontro” começou às 7h da manhã de hoje. João Victor foi até o prédio da Cepol (Centro de Polícia Especializada), onde funciona a DEH, para encontrar os policiais que iam acompanhá-lo até Aquidauana.

Após quase duas horas de viagem, o abraço apertado. “Foi emocionante! Fiquei nervoso, parecia uma ‘vara verde’ tremendo de tão ansioso que eu estava”, afirmou o filho. E, logo no primeiro contato, a surpresa. “Cheguei e descobri que tenho um casal de irmãos, a menina tem 7 anos e o menino tem 9”, contou o jovem, todo feliz.  

João Victor, o mais velho, abraçado com os irmãos mais novos; foi o primeiro contato do jovem com as crianças (Foto: Arquivo Pessoal)
João Victor, o mais velho, abraçado com os irmãos mais novos; foi o primeiro contato do jovem com as crianças (Foto: Arquivo Pessoal)

O maior desejo de João Victor, agora, é reunir toda a família. “Meu irmão de 16 anos trabalha na prefeitura e não conseguiu liberação, por isso ele não veio”.  

Coração de pai 

O reencontro com o filho também trouxe ainda mais alegria para Gilson. “Eu estava com muita saudade desses ‘guri’, muito tempo sem a gente se ver, eles saíram de perto de mim ainda pequenos. Graças a Deus ele conseguiu me encontrar”.

Ver o filho bem de saúde e seguindo a mesma profissão que o pai, emocionou Gilson. “Hoje, nesse mundão onde tudo está esquisito, ver um filho bem, com saúde e trabalhando é muito bom. Eles estão bem encaminhados”, destacou.  

O primeiro encontro em 12 anos vai durar apenas um dia, mas a intenção de João Victor é nunca mais perder o contato com pai. “Pretendo sempre vir pra cá, não posso virar as costas só porque eu já consegui encontra-lo. Sempre tive um carinho muito grande por ele”, finalizou. 

João Victor viajou de Campo Grande para Aquidauana em viatura da Polícia Civil (Foto: Divulgação)
João Victor viajou de Campo Grande para Aquidauana em viatura da Polícia Civil (Foto: Divulgação)

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