Após Rael partir, Paula e Thiago fizeram ensaio para celebrar adoção

Da paixão dos dois, veio o menino dos sonhos, que por mais breve que tenha sido seu caminho, encheu o coração dos pais de amor; agora, eles esperam o caçula que pode chegar a qualquer momento pela adoção

Antes mesmo de Rael partir, Paula e Thiago sempre quiseram adotar uma criança. No mesmo dia em que iniciaram o processo na justiça, a engenheira civil retirou o DIU e a sorte foi lançada. Da paixão dos dois, veio o menino dos sonhos, que por mais breve que tenha sido seu caminho, encheu o coração dos pais de um amor eterno.

Paula e Thiago
Paula e o marido, Thiago, durante ensaio fotográfico para os futuros filhos. (Foto: Hemily Silva/Amor de Mãe)

Para entender melhor essa história, é preciso voltar no tempo. Paula Haib, 32 anos, engravidou de Rael após 6 anos de casada com o marido, Thiago Sahib. O primeiro filho do casal nasceu prematuro, de apenas 34 semanas, em março de 2021. E, antes mesmo da gestação, o casal iniciou o processo de adoção. 

“Nunca fiz diferenciação, era algo que sempre foi muito bem resolvido na minha cabeça. Como eu não defini quem viria primeiro, filho biológico ou adotivo, eu marquei ginecologista para tirar o DIU, e começamos o processo de adoção”, explica Paula. 

Papais e Rael
Rael no colo do pai e da mãe. (Foto: Arquivo Pessoal)

Eles fizeram uma pesquisa sobre adoção e descobriram um curso que seria feito em abril daquele ano. Porém, perderam as inscrições. Encontraram outro no mês de agosto. “Mas, no final de agosto eu descobri que estava grávida”, recorda a engenheira. 

Rael veio ao mundo. Além do diagnóstico de Síndrome de Down, o bebê precisou passar por uma cirurgia cardíaca. Durante este período, o processo de adoção teve que ser pausado. 

“Deixei realmente nas mãos de Deus o que fosse melhor. Então, Rael decidiu vir antes. Fizemos o curso de adoção, entramos com toda documentação necessária, e entramos com o pedido. Rael, por conta da prematuridade e problema cardíaco, ficou internado. Primeiro no El Kadri e depois na Santa Casa de Campo Grande”, detalha Paula.

Rael e mãe
Momentos de Paula com Rael, que virou uma linda estrelinha. (Foto: Arquivo Pessoal)

Neste segundo hospital que o pequeno foi operado. “Exatamente no dia que ele estava no centro cirúrgico, dia 28 de abril de 2022, o pessoal ligou pra gente, do núcleo de adoção. Eles queriam agendar a visita na nossa casa. Mas contamos tudo o que estava acontecendo e foi dado um tempo no processo de adoção”, relembra. 

Rael teve alta do hospital e ficou cerca de dois meses com a família. Infelizmente, acabou voltando ao hospital após ter uma pneumonia. No mês seguinte, 12 de setembro, ele partiu.

Retorno ao caminho

Após o falecimento do primogênito, Paula e Thiago, com muito apoio e afeto de todos ao redor, conseguiram retomar o processo de adoção. A força que eles receberam da família e amigos foi fundamental para enfrentar o luto e a determinação de terem os filhos adotivos. 

“Foi uma luta, mas uma felicidade surreal também. Rael pra mim é um milagre pela transformação que ele fez na minha família e nos meus amigos. Ele é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida”, revela a mãe com amor. 

Segundo a engenheira, o processo de adoção é extenso. Junto do parceiro de vida, entraram de cabeça para receber as crianças e aumentar novamente a família. 

Ainda no ano passado, eles receberam visita do núcleo e passaram por psicólogos e assistentes sociais. “A gente sempre teve o desejo de ter bastante filhos, na verdade, eu, quatro. Mas Thiago é um pouco mais controlado. Para el, três é suficiente”, conta bem-humorada. 

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Papai ansiosos com a chegada dos filhos adotivos. (Foto: Hemily Silva/Amor de Mãe)

O casal deixou claro que aceitam irmãos. “O nosso perfil hoje de adoção é: uma criança até 4 anos de idade, independente de sexo, de raça e com até dois irmãos. Podem chegar duas crianças para nós”, detalha Paula. 

Ensaio cheio de expectativa e amor

A engenheira civil e o advogado, assim como fizeram para Rael, programaram um ensaio fotográfico para os futuros filhos especiais, que podem chegar a qualquer momento, pois estão habilitados para a adoção desde março deste ano. 

“Acho importante, assim como teve pro Rael, para o meu filho ter uma recordação, para ele se ver depois e pra eu também ter uma recordação. Então, eu também quis fazer isso para os filhos adotivos. Para que eles também entendessem que eles já tinham um espaço muito grande no nosso coração. A gente deseja muito que eles venham logo até nós. O Dia das Mães será muito especial”, diz. 

“Estamos completamente preparados. Tenho certeza absoluta que Deus não erra. Meus filhos podem vir de outra forma, mas vem pra mim. O percurso não é fácil, mas a chegada, com certeza, é extraordinária. É um amor construído à distância, um filho que não nasceu de você, mas com total certeza nasceu para você. Deus tem o controle de tudo e sabe perfeitamente o que nós reserva”, complementa Paula. 

Thiago também deixa um recado para todos que também pensam em adotar. “Confie em Deus. Ele nos mostra o nosso caminho, a hora certa. E é importante estudar, pesquisar sobre e frequentar grupos”, indica o advogado.

Como diria a jornalista Astrid Fontenelle: “filhos queridos tanto faz de que forma venham, se de estrelas, barriga de aluguel, inseminações. Toda criança precisa de amor”.

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