Após voltar de viagem, moradora de Tangará da Serra encontra ipê-amarelo no auge da florada
Árvore acompanha a família desde 1997, sobreviveu a uma poda severa e mantém uma tradição entre Mônica e a filha, Gabriela, que disputam quem encontra a primeira flor.
Depois de passar 15 dias viajando, Mônica Casagrande Goerck teve uma recepção especial ao retornar para casa, em Tangará da Serra (MT). O ipê-amarelo cultivado no quintal da família estava no auge da florada, com a copa completamente tomada pelas flores.

A árvore faz parte da história da família desde 1997, quando Mônica comprou o terreno e começou a construir a casa. Na época, havia dois ipês ainda jovens no local. Um deles precisou ser retirado para dar espaço à construção, enquanto o outro permaneceu no quintal.
A primeira florada surgiu de forma tímida alguns anos depois. Desde então, acompanhar o aparecimento das flores se tornou uma tradição entre Mônica e a filha, Gabriela Goerck.

“Todo ano é uma festa esperando a florada. Minha filha e eu sempre brincamos para ver quem encontra a primeira flor”, contou a servidora pública ao Primeira Página.
Neste ano, Mônica não acompanhou o surgimento das primeiras flores porque estava viajando. Ao voltar para casa, depois de 15 dias, encontrou a árvore completamente florida.
Agora, segundo ela, as flores começam a dar lugar às novas folhas verdes.

Ipê renasceu após poda severa
A trajetória da árvore também foi marcada por um período de recuperação. Em 2014, após reclamações de antigos vizinhos por causa das folhas que caíam nos quintais, a família decidiu podar os galhos do ipê.
Mônica conta que, ao verificar o serviço, encontrou somente o caule da árvore. A poda havia sido mais severa do que ela esperava. “Quando fui olhar, só estava o caule. Chorei horrores”, relembrou.

Com o passar do tempo, o ipê voltou a brotar e cresceu novamente, mas passou a produzir poucas flores. Na tentativa de ajudar na recuperação, Mônica começou a regar a árvore ao longo do ano.
Segundo ela, quando chegava o período da florada, o ipê perdia as folhas e formava diretamente as vagens com sementes, sem produzir flores. Após pesquisar sobre os cuidados com a espécie, Mônica decidiu interromper a rega e deixar que a árvore recebesse apenas a água da chuva.
No ano seguinte, o ipê voltou a florescer. Desde então, conforme a moradora, a florada se repete anualmente.
O “rei do quintal”
Além de colorir a casa, o ipê deixa o quintal perfumado e atrai beija-flores, abelhas e diferentes espécies de pássaros. Quando as flores caem, a família espera que sequem antes de rastelar o espaço.
Mônica estima que sejam necessários cerca de 20 sacos de 200 litros para recolher todas as flores. Apesar do trabalho, ela afirma que nunca considerou o material uma sujeira.
O quintal também tem pés de abacate, amora, coco, tâmara, goiaba, pitanga, caju e cajamanga, cultivados principalmente para atrair aves, incluindo araras. Ainda assim, para a família, nenhuma das árvores ocupa o mesmo lugar do ipê-amarelo.
“O ipê é o rei do quintal. Usufrui do sol só para ele”, brincou Mônica.
Depois de sobreviver à poda severa, voltar a crescer e acompanhar diferentes fases da família, o ipê mantém uma tradição de quase três décadas: transformar a florada em uma festa dentro de casa.