Ataque que matou 12 carneiros não foi de onça, aponta investigação

Avaliação técnica descartou onças e indicou cerca de 10 cães como responsáveis por mortes de animais.

Um vídeo publicado pelo Instituto Impacto nessa terça-feira (14) mostra o resultado de uma investigação de uma série de ataques a animais domésticos em uma propriedade rural na região de Poconé (MT), inicialmente atribuídos a um possível predador silvestre. A análise técnica, no entanto, descartou a participação de onças e apontou outro responsável: um grupo de cães domésticos.

Análise de vestígios descartou onça e indicou cães como responsáveis pelos ataques. - Foto: Reprodução
Análise de vestígios descartou onça e indicou cães como responsáveis pelos ataques. – Foto: Reprodução

A equipe foi até o local após relatos de que 12 carneiros foram atacados durante a noite, causando prejuízos ao produtor rural. Parte dos animais morreu e outros ficaram feridos, o que levantou a suspeita inicial de ataque por grandes felinos, como onça-parda ou onça-pintada.

Análise descarta onça e identifica padrão de ataque

Segundo o médico-veterinário de animais selvagens Samuel F. Bressan, responsável pela avaliação, o primeiro passo foi analisar os vestígios deixados nas carcaças. “O produtor nos chamou para avaliar a situação e entender qual foi o possível predador responsável”, explicou.

De acordo com ele, é comum que ataques desse tipo sejam inicialmente atribuídos a onças. “É muito comum que, num primeiro momento, tanto o produtor quanto a gente pense em predação por onça. Por isso, é essencial saber diferenciar o ataque de um predador silvestre de um doméstico”, afirmou.

Veterinário explica como diferenciar ataque de onça e de cães após morte de 12 carneiros´. – Vídeo: Instituto Impacto

Após a análise forense, a equipe descartou a atuação de felinos. “Não encontramos evidências que indiquem ataque de onça-pintada ou onça-parda. Existem sinais muito claros que ajudam nessa distinção”, disse.

Entre os indícios observados, estão as marcas e o padrão de consumo. “Quando cães atacam, há muitos arranhões, mas as garras são diferentes das de felinos. Além disso, o padrão de consumo também muda: cachorros costumam atacar a região pélvica, enquanto onças abrem a cavidade e consomem os órgãos internos”, detalhou.

A conclusão também foi reforçada por relatos de moradores da região. “Vizinhos informaram que viram mais de 10 cães domésticos atacando propriedades próximas na mesma noite. Esses relatos, somados aos vestígios, indicam que não foi um predador silvestre, mas sim um ataque de cães ao rebanho”, concluiu.

Segundo o Instituto Impacto, a identificação correta da origem da predação é essencial para evitar que grandes felinos sejam responsabilizados de forma equivocada, o que pode gerar retaliações e impactar a conservação da fauna silvestre.

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