Brasil tem queda nos divórcios pela primeira vez em três anos, aponta IBGE
Queda interrompe três anos de alta e revela novas dinâmicas familiares no país.
O número de divórcios no Brasil caiu pela primeira vez em três anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (10). Em 2024, o país registrou 428,3 mil separações, uma queda de 2,8% em relação a 2023.
O levantamento também aponta mudanças no comportamento das famílias brasileiras, especialmente na forma como os casais se separam e se casam.

Uma das principais transformações aparece nas decisões sobre guarda de filhos. Pela primeira vez, a guarda compartilhada superou a guarda exclusivamente materna nos divórcios judiciais com crianças menores de idade.
Em 2024, cerca de 44,6% das separações resultaram em guarda dividida entre pai e mãe, enquanto 42,6% ficaram sob responsabilidade apenas da mãe. Há dez anos, praticamente todas as guardas eram maternas, cenário que mudou após a lei de 2014, que passou a priorizar o compartilhamento.
Segundo o IBGE, essa mudança acontece por causa da Lei nº 13.058, de 2014, que determinou que a guarda compartilhada deve ser a primeira opção, mesmo quando os pais não chegam a um acordo, desde que ambos tenham condições de cuidar dos filhos.
A pesquisa também mostra que a maior parte dos divórcios ocorre em famílias com filhos menores, representando 45,8% das dissoluções. Casais sem filhos respondem por 30,4% dos registros.
Além disso, o tempo de duração dos casamentos vem diminuindo. Em 2024, o intervalo médio entre casar e se divorciar foi de 13,8 anos, abaixo dos 16 anos registrados em 2010.
Ao mesmo tempo, os divórcios estão acontecendo em idades mais altas: homens se separam, em média, aos 44,5 anos, e mulheres aos 41,6. Isso indica que muitos casamentos chegam ao fim já na meia-idade.
A proporção entre casamentos e divórcios também mudou. Para cada 100 casamentos registrados em 2024, houve 45,7 divórcios, número um pouco menor do que o de 2023, quando foi de 47,4.
No sentido oposto ao movimento das separações, o número de casamentos civis voltou a crescer em 2024. Foram 948,9 mil cerimônias, alta de 0,9% em relação ao ano anterior, embora o país ainda esteja abaixo do patamar pré-pandemia. O Centro-Oeste liderou o aumento, enquanto o Nordeste foi a única região com queda.
O destaque positivo apontado pelo IBGE, ficou para os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que chegaram ao maior número da série histórica: 12.187 registros, obtendo um crescimento de 8,8% em relação a 2023.
As uniões femininas impulsionaram esse avanço, com alta de 12,1%, enquanto os casamentos entre homens aumentaram 3,3%.





