Cadeirante cuiabana faz sucesso nas redes sociais e pede fim do preconceito

Zannandra Fernandez tem mais de 11 mil seguidores nas redes sociais

Com mais de 11 mil seguidores, a cuiabana Zannandra Fernandez, de 20 anos, tem se destacado nas redes sociais e usado a própria voz para falar sobre o capacitismo, um tipo de discriminação que define as pessoas pela sua capacidade.

Cadeirante cuiabana faz sucesso nas redes e usa voz para combater pré-conceitos
Zannandra parou de andar quando tinha por volta de 10 anos de idade. (Foto: Arquivo pessoal)

Cadeirante, a jovem ativista afirma que hoje entende a potência que a voz dela pode ter para falar sobre o direito das pessoas com deficiência.

“A luta de capacitista é um exercício diário e de todos. E eu luto para que nosso espaço na sociedade seja respeitado. Já alcançamos avanços consideráveis. Um desses foi a Lei Brasileira de Inclusão. Mas, além de melhorias em políticas públicas, há um outro problema a ser enfrentado, o capacitismo”, diz.

Zannandra parou de andar quando tinha por volta de 10 anos de idade. Ela nasceu com distrofia muscular e a doença foi progredindo ao longo dos anos. 

“Desde que nasci, por ter nascido com uma deficiência, apesar de não ser cadeirante, já sentia o capacitismo que as pessoas tinham comigo. Mas pelo fato de não ser cadeirante e a gente associar a deficiência a uma cadeira de rodas, eu demorei para conseguir identificar o capacitismo”, explica.

Apesar de as pessoas acharem que a cadeira de rodas limita Zannandra, ela afirma que foi um instrumento muito importante na sua formação e representa libertação. 

“Foi a partir dela que consegui me adequar ao mundo, me ver, enxergar e alcançar os lugares, independentemente de qual seja, foi através dela. Ela que me deu segurança, porque quando andava, por conta da distrofia, andava de uma maneira insegura. Tenho encurtamento nos tendões, então eu não conseguia andar com segurança. Eu me limitava muito”, disse.

Cadeirante cuiabana faz sucesso nas redes e usa voz para combater pré-conceitos
Zannandra tem mais de 11 mil seguidores nas redes sociais. (Foto: Arquivo pessoal)

Amor marcado na pele

A cadeira de rodas é tão representante na vida dela, que Zannandra decidiu gravar para sempre a palavra em seu corpo, no tronco.  

A ideia surgiu após o comediante Whindersson Nunes tatuar o seu estado, o Piauí, no corpo. Na época, ele recebeu muitas críticas, mas a jovem ficou com isso na cabeça e chegou a sonhar que tatuava a palavra ‘cadeirante’.  

“Foi uma repercussão do tipo: ‘Por que alguém tatuaria Piauí’? A gente estava muito condicionado a ver pessoas estadunidenses. E as pessoas não conseguiam ver a possibilidade de alguém ter orgulho de morar no Piauí, de ser do Piauí. E eu sonhei que tinha tatuado ‘cadeirante’, com a mesma fonte”. 

Mas o sonho só se tornou realidade na virada do ano, quando viajou para casa de uma amiga em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá.  

“Fiquei me segurando muito tempo, porque é uma tatuagem grande. Não sabia se saberia lidar com a forma como as pessoas reagiriam, tanto que até hoje, se uso uma roupa mais curta, que apareça a tatuagem, as pessoas ficam olhando estranho. Em Barra do Garças, fiquei na casa de uma amiga. E ela, recentemente, virou tatuadora e comentei dessa ideia. E ela adorou. E disse: ‘Posso fazer? Você me dá essa honra’? E eu falei: ‘Vamos!’. A gente fez no dia do Ano Novo”. 

Trabalho nas redes

Zannandra intensificou o trabalho nas redes sociais em meio à pandemia da covid-19, mas afirma que muitas coisas mudaram em sua vida e que isso deve refletir no conteúdo que faz para seus seguidores.  

“Quero fazer conteúdos diversos, pela perspectiva de uma pessoa com deficiência. Trazer um pouco de humor para o meu conteúdo e falar sobre diversos assuntos”.   

Apesar das mudanças, enfatiza que um assunto que não vai ficar de fora é o capacitismo, pois é “necessário combater a ideia de que a deficiência faz com a pessoa seja incompleta, incapaz e menos apta a realizar qualquer atividade, seja no trabalho ou no âmbito educacional. E até mesmo para decidir sobre sua própria vida”. 

Como dica, ela ressalta para que as pessoas pensem antes de falar alguma coisa e se coloquem no lugar do outro. Além disso, se questionem se teriam esse mesmo comportamento com quem não tem nenhuma deficiência.  

“Eu estaria falando isso de uma pessoa sem deficiência? Estaria pensando isso sobre uma pessoa sem deficiência? É realmente se fazer essas questões. Aquela atitude que você está tendo, ou pensamento colocar em uma realidade de uma pessoa sem deficiência. E na maioria das vezes você não teria essa atitude com uma pessoa sem deficiência”.   

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