Comunicação que inclui
Melhorar a comunicação é uma forma de construir uma sociedade mais inclusiva para pessoas com deficiência
Uma pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que no ano de 2019 o Brasil tinha 17,2 milhões de pessoas com alguma deficiência, o que representava 8,4% da população. Esse levantamento mostrou que a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho era de 28,3% – menor do que a de pessoas sem deficiências, que era de 66,3%. Isso significa que, a cada dez pessoas com deficiência que buscavam um emprego, sete estavam fora do mercado de trabalho.
Os dados são indicativos de como essa parcela da população enfrenta barreiras no acesso ao emprego no Brasil. Mudar essa realidade depende de vários fatores, como qualificação profissional e cumprimento da Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (Lei 8.213/91). A legislação determina que empresas com 100 empregados ou mais reservem vagas para pessoas com deficiência. E para que a inclusão ocorra de fato é preciso também melhorar a comunicação com o público PCD.
Para o jornalista Aldo de Angelis, que é cadeirante, não adianta contratar uma pessoa com deficiência só para cumprir a lei e deixar o trabalhador num cantinho na empresa, sem interação com os demais. É preciso incluir de fato! Ele exemplifica: no caso do deficiente auditivo, se não tiver na empresa pessoas que se comuniquem em Libras, ele vai ter muita dificuldade para trabalhar.
Aldo é pós-graduado em marketing digital e vai começar um novo curso superior em Publicidade e Propaganda. Ele destaca que a comunicação para o cadeirante deve ser ampla e clara, e precisa ser combinada com atitudes que garantam a acessibilidade. “De nada adianta colocar um aviso explicando onde é o banheiro para cadeirante se o local estiver bloqueado com baldes, vassoura e rodo ou se tiver um degrau para chegar até lá”. O jornalista ressalta também que a pessoa com deficiência deve participar das discussões e das decisões em busca de resultados que proporcionem a inclusão.
Ações do poder público, da iniciativa privada e de organizações não-governamentais tentam contribuir com soluções. A Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID) foi fundada em 2010 e desenvolve projetos com empresas e instituições para construir uma sociedade inclusiva. Um dos trabalhos da ASID é incentivar a comunicação inclusiva em diferentes contextos, especialmente no ambiente profissional.
Algumas orientações:
Deficiência Auditiva
- Fale naturalmente e, se for necessário, comunique-se por meio de mímicas e bilhete.
- Acene ou toque para começar uma conversa.
- Se tiver dificuldade para entender a pessoa, não fique com receio de pedir para repetir.
Deficiência Visual
- Ao começar uma conversa, toque em seu braço ou identifique-se.
- Ao conduzir a pessoa, ofereça seu braço para que ela segure.
- Ao explicar a direção, indique com clareza. Exemplo: 100 metros à direita e não ‘logo ali’ ou ‘bem ali’.
Deficiência Intelectual
Dê orientações claras e objetivas, usando exemplos quando for possível.
Deficiência Física
Nunca movimente a cadeira de roda sem antes pedir permissão.
Combate ao capacitismo
Capacitismo é a discriminação e opressão contra pessoa com deficiência. Uma das formas de combater essa prática é não usar palavras e expressões pejorativas. Algumas vezes, por desinformação, até mesmo o que alguns consideram elogio pode ser um comentário capacitista. Quando alguém diz “Você é tão inteligente, nem parece deficiente!”, indiretamente está dizendo que inteligência e deficiência são características antagônicas. Palavras ofensivas como “retardado” ou “aleijado” devem ser banidas, assim como expressões preconceituosas, como “dar uma de joão-sem-braço” e “fingir demência”.
Tecnologia para ajudar na comunicação
Diversos recursos tecnológicos têm sido criados para facilitar a comunicação entre pessoas com e sem deficiência. Um dos aplicativos mais usados para auxiliar deficientes visuais é o “Be My Eyes”. Pessoas cegas, quando precisam de ajuda para situações do cotidiano, como escolher roupas ou preparar alimentos, mandam uma mensagem via app/celular pedindo ajuda para voluntários que serão ‘seus olhos’. A interação é por meio de chamada de vídeo. É um app internacional e gratuito, com versão para IOS e Android.
Também existem ferramentas para ajudar na comunicação com deficientes auditivos. O Hand Talk é um app gratuito para celulares Android e IOS que permite traduzir textos em Libras (Língua Brasileira de Sinais). A ferramenta usa um avatar digital, interpretado pelo personagem Hugo, para desenvolver os gestos e facilitar a comunicação com pessoas surdas ou com dificuldade auditiva.
O caminho para a inclusão da pessoa com deficiência é longo. Fomentar uma comunicação inclusiva é como criar atalhos nessa jornada.
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