Confira tattoo feita em centro cirúrgico e entenda processo de sedação

Primeira Página foi atrás de explicação sobre o processo de sedação para tatuar as costas do cliente

No início da semana, o tatuador Kallel Henrique, de Campo Grande, surpreendeu os seguidores ao mostrar um cliente sedado para “fechar as costas” com uma tatuagem enorme. O Primeira Página mostrou como foi o processo inicial e o trabalho, na verdade, também se tratava de fazer a cobertura e reforma de uma tattoo antiga que o cliente já tinha ?

O processo todo, segundo o profissional, durou 15 horas. O valor investido não foi revelado.

“Esse meu cliente é muito corrido, nunca tem tempo e a minha agenda também é muito apertada. A gente precisava de uma tatuagem que desse para fazer tudo em um dia. Ele sente muita dor e queria muito fechar as costas. Ele tinha uma tatuagem embaixo, então, esse trabalho foi de cobertura e reforma. Ele não queria remover com laser. Tivemos três fatores essenciais para decidir fazer no centro cirúrgico: tempo, dor e cobertura. Respeitando todo o tempo de cicatrização”, detalha Kallel à reportagem. 

O cliente havia tatuado anteriormente um dragão e um samurai. O primeiro foi apagado por Kallel. O segundo, transformado pelas mãos do profissional, que também destaca o significado do desenho. 

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“Ali mostra a força do guerreiro, a garra do samurai, e o outro lado mais animal, com essa coisa do dragão. Eu só quis revitalizar”, diz Kallel. 

Mas, antes de tudo, o tatuador montou um verdadeiro projeto. Além de ter uma consulta com o cliente de duas horas de duração, ele avaliou o trabalho por completo. “Ao todo, foram oito horas de planejamento. Não é só sentar e mexer no projeto. Eu fico com aquilo na cabeça, pensando no que eu posso fazer, ainda mais quando é um projeto gigantesco”, declara. 

Além dele, Kallel contou com mais três pessoas – Nai, Ravel e Diego Bueno (este último de muita confiança) – assim como mais um trio do hospital onde a tatuagem foi realizada. O desafio era enorme, pois o tatuador reconhecia os riscos. 

Tatuadores durante processo de restauração (Foto: Intagram/Kaleel Tattoo)
Tatuadores durante processo de restauração (Foto: Intagram/Kaleel Tattoo)

“Anestesia é uma coisa que a gente não sabe o que vai acontecer, tem gente que tem alergia. E minha esposa tem um amigo muito legal, o doutor Lucas, anestesista, e ela foi direto nele perguntar qual era a melhor forma legal e segura de fazer esse procedimento. Ele explicou que uma anestesia geral tem que entubar e passar por muitos outros processos invasivos”, explica. 

“Essa foi uma sedação, uma indução ao sono. O médico fica ao lado o tempo todo aplicando anestesia. Foi tudo alinhado. O cliente passa por consulta, uma entrevista, exames e, dando OK, a gente faz”, completa Kallel. 

O grande trabalho do tatuador no hospital ficará guardado para sempre na sua carreira. 

“Foi uma experiência muito louca, porque ele não sentia nada, estava dormindo, e a pele estava muito legal. O médico ajudou muito com medicações para ajudar, foi uma coisa muito legal. Eu consegui fazer um trabalho que levaria 30 horas. Paramos só um tempinho pro meu cliente levantar, ir ao banheiro. Foi uma porta que se abriu”, diz orgulhoso. 

Segundo o tatuador, o cliente também deve guardar com carinho por tudo que passou. 

“Eu vejo muita gente fazer implante de cabelo, que não deixa de ser estética, que passam por isso para ficar mais bonito, para ter a autoestima de volta. Meu cliente já não queria mais tirar a camiseta, nem ir à praia. Eu acho que isso veio para somar e vai trazer um conforto para quem quer resolver, até uma cicatriz, por exemplo, a tatuagem pode resolver, e conseguir entrar num centro cirúrgico, acompanhado pelo Servan, é maravilhoso, eu estava muito seguro”, continua. 

Após terminar a tatuagem sedado, o cliente recebeu prescrição médica de antiinflamatório. “Nós ficamos impressionados: ele levantou bem, a tatuagem estava linda e a pele intacta!”, finaliza Kallel.

Tatto + sedação

Todo o processo contou com a ajuda e acompanhamento de profissionais da Servan Anestesiologia. Em nota, o médico que realizou o procedimento explicou que o procedimento realizado “foi uma sedação endovenosa com hipnose, amnésia e analgesia, porém com manutenção da ventilação espontânea (o paciente respira sozinho”, ou seja, não houve auxílio.

O profissional também explicou que a técnica permitiu, inclusive, que a pessoa tatuada levantasse para ir ao banheiro, durante o processo. “Levamos com auxílio ao banheiro, urinou, alongou, conversou, retornou pra maca e retomamos a sedação para parte final da tattoo”.

A reportagem indagou o CRM (Conselho Regional de Medicina) sobre a existência de regulamentação a respeito de procedimentos como o que foi feito, e aguarda retorno.

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