Criançada foge do celular e aproveita o sábado para brincar em Campo Grande
O 10º Deixa Brincar é promovido pelo Núcleo Regional da Aliança pela Infância e reuniu diversas atividades
Nem o frio de 14°C em Campo Grande espantou a criançada do 10º Deixa Brincar. O evento realizado neste sábado (25) no Parque das Nações Indígenas foi pensado para mostrar ao mundo, e aos pequenos, que existe muito mais diversão fora das telas, que dentro delas.
O evento promovido pelo Núcleo Regional da Aliança pela Infância – em alusão à Semana Mundial do Brincar – reuniu atividades lúdicas, brinquedos infláveis, oficinas circenses, minifutsal e minivoleibol, além de ter brinquedos tradicionais, contação de histórias, dança de roda, pintura, introdução ao skate, judô, ioga e oficina de bolhas de sabão.

Foi exatamente esse “leque de opções” que fez a estudante de pedagogia Bernadeth Franco Munhoz, de 46 anos, levar a filha Heloysa Franco Munhoz, de 7 anos, ao parque neste sábado.
“Ela tem a oportunidade de conhecer várias situações que às vezes a gente no corre e corre do dia a dia não consegue passar pra ela, então aqui vai ser um momento pra isso, somente pra isso, pra eles”.
Bernadeth Franco Munhoz
Diante de um mundo de possibilidades, cada criança logo escolheu a atividade que mais gostou; Heloysa se encantou mesmo pelos livros, que foram expostos em um varal montado entre as árvores.

A poucos metros dali, um outro brinquedo era o protagonista; um “vai e vem” adaptado, feito de garrafa e com cara de foguete. Por atrás da ideia de transformar o que muitos chamam de lixo em brincar, está Fernando Moraes, que há 30 anos é professor de educação física.
“Como eu desenvolvo várias oficinas e disciplinas que trabalham com material reutilizável, que se desenvolvem nesses materiais, nós fazemos comumente o vai e vem, que é um brinquedo da nossa infância, vamos assim dizer. E aí, para dar um destaque especial, nós fizemos uma modificação nesse vai e vem para não ser de duas pessoas ao mesmo tempo, até mesmo porque a criança pequena, quando ela vai brincar com vai e vem, ela tem dificuldade. Então, aqui é um. Numa extremidade, a gente amarrar num lugar alto”.
Fernando Moraes
Segundo o professor, o brinquedo é simples, mas faz com que qualquer criança se encante e troque o celular, para ficar horas e mais horas ali.
“A gente tem tantas possibilidades simples de fazer brinquedos com a criança ou até mesmo brincar sem recurso material e a gente deveria voltar a atenção para isso. Até para a gente tirar um pouco a criança do vínculo que ela estabelece com o telefone, com a televisão, que acaba tirando dela muito tempo para ela de aproveitar os espaços. Do brincar”.
Fernando Moraes

Para a doutora em educação, Ângela Costa, a dependência dos celulares tem sido problema em muitas casas brasileiras e o causador de crises de ansiedade e depressão nas crianças. Justamente por isso, eventos como o 10º Deixa Brincar são essenciais para “criança com a infância”.
“As crianças gostam de brincar, isso tá inerente ao ser humano” As crianças precisam de espaço, de quem brinque com ela. A brincadeira faz ela aprender a conviver com o outro. Esperar sua vez, tem que negociar, conversar, ela tem que rir junto”.
Ângela Costa
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