Das rodas cuiabanas à Grécia: mestre Visk conheceu o mundo com a capoeira

Visquival de Campos Martins, de 47 anos, retornará para Grécia em outubro, em mais uma oportunidade de compartilhar saberes e representar a capoeira de MT

“A capoeira de Mato Grosso está aqui para o mundo”. É assim que o mestre capoeirista Visquival de Campos Martins, de 47 anos, define a arte em forma de luta que o permitiu viajar o mundo!

Dentre os destinos conhecidos por meio da capoeira, esteve a Grécia, para onde ele levou o gingado ancestral e representou Cuiabá, no início de 2023.

Visquival de Campos Martins, de 47 anos, conheceu a Grécia através da capoeira. (Vídeo: Gabi Braz)

Vivendo pela capoeira

Visk, como é conhecido, está há 35 anos praticando, dos quais 25 ensinando capoeira, como contou ao Primeira Página.

E a ligação dele com a luta ancestral é tão grande que marcou até mesmo seu nascimento, em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, justamente no dia 3 de agosto, dia do capoeirista!

Morando na Capital mato-grossense desde 1983, Visk se formou instrutor de capoeira em 2002, mesmo ano em que fundou o grupo Capoeira Vip de Cuiabá.

O mestre também é bacharel em Direito, formado pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), mas foi na capoeira que ele encontrou seu verdadeiro caminho!

A ida à Grécia fez Visk perceber importância de continuar compartilhando o conhecimento, a técnica e a história do movimento.
A ida à Grécia fez Visk perceber importância de continuar compartilhando o conhecimento, a técnica e a história do movimento. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em rodas de capoeira pelo mundo

A escolha de um caminho baseado numa expressão cultural e histórica levou o cuiabano a destinos inimagináveis.

Isso porque foi através da capoeira que ele pôde conhecer a Espanha, em 2007, Alemanha dois anos depois, e a Grécia, no início deste ano.

A ida para outros cantos do mundo, levando a ancestralidade de uma luta desenvolvida por escravos, e representando a Capital de Mato Grosso, fez Visk enxergar a necessidade e a importância de continuar compartilhando o conhecimento, a técnica e a história do movimento!

Visk conta sobre a viagem e a necessidade de elevar o movimento capoeirista brasileiro. (Vídeo: Gabi Braz)

Nos 10 dias em que passou na Grécia, o mestre capoeirista pôde compartilhar seu conhecimento com pessoas de diversas partes do mundo, bem como aprender com elas.

Segundo ele, a capoeira desenvolvida pelos estrangeiros é muito diferente da forma como os brasileiros dão vida ao cantado e gingado.

O sotaque de um povo do Brasil, especialmente de um povo cuiabano, se destaca na multidão, criando a verdadeira capoeira “digoreste” como afirma Visk.

Mas, apesar da diferenciação do movimento local, ele lembra que em meio a uma roda, quem reina mesmo é a igualdade!

O mestre Visk viajou para Grécia, no início deste ano, levando os conhecimentos, movimentos e representando Cuiabá através da capoeira.
O mestre Visk viajou para Grécia, no início deste ano, levando os conhecimentos, movimentos e representando Cuiabá através da capoeira. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de todos esses fatos, Visquial viveu um outro momento através do esporte: conduziu a tocha olímpica das competições de 2016.

Durante o tour por Cuiabá e Várzea Grande, a tocha foi carregada por 126 pessoas, num percurso de 23 km, entre ruas e avenidas das cidades.

Através do esporte, Visk também pôde conduzir a tocha olímpica em 2016.
Através do esporte, Visk também pôde conduzir a tocha olímpica em 2016. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mostrando que tem muito mais a oferecer dentro e fora de seu país, Visk retornará para Grécia, na primeira semana de outubro deste ano e ficará lá por mais 10 dias, para continuar compartilhando os saberes e conhecendo outros mestres.

Para ele, a ida para outros países também é uma forma de chamar atenção para a valorização da capoeira no Estado.

O mestre capoeirista e seus alunos, em frente ao colégio Liceu Cuiabano, na Capital. (Foto: Arquivo Pessoal)
O mestre capoeirista e seus alunos, em frente ao colégio Liceu Cuiabano, na Capital. (Foto: Arquivo Pessoal)

Por enquanto, o mestre carrega a responsabilidade e o orgulho de representar o Estado sozinho. Mas, um dia, como é a maior vontade dele, seus alunos o acompanharão, por outros destinos, levando a força do movimento capoeirista local.

Capoeira em Cuiabá

Nas noites de sexta-feira, os cantos, o berimbau, pandeiro e as palmas, podem ser ouvidos e vistos em frente ao colégio Liceu Cuiabano, na Capital, onde a roda é realizada semanalmente.

Em outro ponto da cidade, na Praça Oito de Abril, as aulas de capoeira também são realizadas nas noites de segunda e quarta-feira, de acordo com Visk.

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