Desafio multiplicado: Anna é a 1ª combatente florestal de MS

Um orgulho de Mato Grosso do Sul. É assim que podemos definir Anna Luiza Brites da Costa Marques. Através do Curso de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado, a campo-grandense tornou-se a primeira combatente florestal, aos 28 anos.

O curso é reconhecido como um dos mais difíceis na carreira de todos os bombeiros. Anna é a primeira mulher a conquistar o espaço.

Bombeira em incêndio
Primeira combatente florestal de MS durante um incêndio. (Foto: Arquivo Pessoal)

“De fato, nunca nenhuma mulher havia tentado. Eu sou nova na corporação, me formei soldado no começo de 2021. Quando eu soube que teríamos o curso este ano (o último do Estado foi em 2006), decidi que faria e me formaria. Não foi fácil, mas, por eu ser a única mulher ali, recebi muito apoio de todas as outras mulheres da corporação”, declara Anna.

A militar confessa que se fracassasse, aquele pensamento machista de que mulher não consegue mesmo poderia tomar conta de muitos. Porém, ela provou totalmente o contrário.

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Bombeira e bombeiros
Soldado Anna e outros militares do Corpo de Bombeiros Militar do Estado. (Foto: Arquivo Pessoal)

Você deve pensar que o sonho da Anna sempre foi ser bombeira, mas não. A bonita profissão cresceu dentro dela naturalmente.

“Acredito que por ser mulher e sermos tão poucas, eu nunca tinha visto uma bombeira para me inspirar e sonhar, mas acabou que sem ter sonhado, realizei o concurso, fui aprovada e me encontrei. Hoje me sinto realizada”, diz a militar, que, atualmente, trabalha em Bataguassu, município a 295 km de Campo Grande.

Desafios

Conforme Anna, todos os incêndios são tensos, pois o fogo sem controle sempre representa um risco à vida. E combatê-lo exige muito mais que uma preparação física. Conhecimento técnico é essencial.

“Para adotar a melhor tática. Com a melhor tática, consequentemente, poderemos fazer o melhor para proteger, no caso do incêndio florestal, a fauna e a flora daquele local”, explica.

Assista abaixo um momento de descontração durante os trabalhos:

Mesmo sendo nova na corporação, Anna já participou de duas grandes operações. Uma delas foi no ano passado, no Pantanal. A outra, logo no início deste ano, no PEVRI (Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema). “Os dois com complexidades diferentes, em biomas diferentes”, ressalta a militar.

Ser bombeira é sinônimo de desafio. Afinal, cada incêndio tem a sua complexidade. Como Anna mesmo diz, uma ocorrência nunca é igual à outra.

“Então, temos que estar preparadas para tudo, conhecer um pouco de tudo. Ao mesmo tempo, além do conhecimento, a mente e o corpo devem ser fortes e resistentes. No que tange a minha especialidade, agora de combatente florestal, o desafio é, parafraseando alguns dos teoremas do combatente florestal, enfrentar o desconforto e a fadiga para conseguir retornar de um combate apenas quando extinto o incêndio ou só restarem as cinzas, suportar as agruras de um ambiente silvestre, e manter sempre a confiança, sem desistir nunca”, revela.

Por gostar de desafios, a profissão é a cara dela.

“Ainda mais sendo mulher, o desafio é multiplicado, porque além da dificuldade da própria atividade, vem o questionamento e dúvida de muitos acerca da nossa capacidade. Então, dá mais gostinho em vencer, sabe? Aí essa sensação, junto à do dever cumprido, é muito gratificante”, enfatiza.

Soldado Anna em ação
4 momentos da soldado em ação. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Quer ser bombeira?

De acordo com Anna, a profissão possui um enorme leque de atividades. E mais: ter mulheres atuando em cada área é mais do que necessário.

“Não tem mais essa história de que certa profissão ou certo curso é muito difícil, que não é coisa de mulher… Atuamos em resgate, salvamento, estamos em posições de comando. Muito em breve teremos a primeira coronel do Estado também. No dia a dia ainda, lidamos com atendimento ao público feminino, e essas mulheres se sentem muito mais acolhidas e à vontade quando atendidas por outras mulheres. Nós mostramos que fazemos a diferença e que podemos ser o que quisermos, fazer o que quisermos, nos especializarmos na área que escolhermos”, diz.

Soldado e família
Soldado com namorada, Isabela, cunhado, irmã, mãe e filhinha, Elis. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Quanto ao curso de prevenção e combate a incêndios florestais, como os outros de especialização, qualquer bombeira que sonhe em fazer, não será fácil. Contudo, irá valer a pena.

“Se for algo que realmente queira, os desafios que surgirem serão superados. Não deixe ninguém falar que você não será capaz. Cabe a nós que estamos aqui e agora prosseguirmos ocupando estes espaços e inspirando outras mulheres.”, finaliza.

Orgulho!

Desde 1999, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul inclui mulheres no curso.

“Vem construindo um ambiente profissional que possibilita a inserção das mulheres em todas áreas de atuação da corporação, dando as mesmas oportunidades de progredir na carreira. De fato, à medida que vão surgindo tais situações, nossas bombeiras militares se mostram brilhantes em suas atividades”, garante o tenente coronel Cezar, chefe da seção de comunicação do Corpo de Bombeiros Militar.

Bombeiros
Combatentes florestais. (Foto: Arquivo Pessoal)

“A soldado Anna Brites é um orgulho a todos, principalmente a representatividade da mulher nessa área de atuação, servindo de exemplo e inspiração a todos e também às futuras gerações”, afirma o militar.

Curso de Prevenção e Combate a Incêndio Florestal

É um curso de especialização militar que prepara o militar com técnicas e táticas voltadas para a prevenção e combate à incêndio florestal. Sua malha curricular abrange diversas disciplinas.

Entre elas, meteorologia, tecnologia, logística e operações, todas aplicadas aos incêndios florestais. Além de treinamento físico militar, sobrevivência e adaptação aos biomas.

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