Dia dos Avós e a versão "mamãe com açúcar" que só os netos podem saborear
Ao resgatar uma foto de 34 anos atrás, uma reflexão sobre como os netos oferecem aos avós a chance de rever a infância, sem o cansaço, as cobranças e a pressa da rotina.
Neste 26 de julho, Dia dos Avós no Brasil, uma cena corriqueira aqui em casa me fez pensar sobre o tempo, a maternidade e as voltas que a vida dá. Vira e mexe, Maria Cecília olha para as minhas fotos de infância e pergunta, com a inocência típica da idade: “Sou eu, mamãe?”. Quem vê de fora confirma: dizem que somos semelhantes ao extremo.
Por isso, meses atrás, ao encontrar uma foto 3×4 de quando eu tinha 4 anos, mesma idade da minha filha à época, fiz um vídeo. Olhando bem para aquela imagem no papel, consegui entender algo que já matutava na minha cabeça há algum tempo: que loucura a minha mãe poder voltar 32 anos no tempo e me ver novamente aos 4.
Como deve ser a sensação de ter o filho criança no colo de novo, décadas depois da primeira infância Tenho comigo que os netos são a chance dos nossos pais nos criarem novamente, mas em outra fase da vida.
Sem a venda do cansaço que distorce a doçura que a realidade reserva; sem o batidão insano do cotidiano da adultice; sem ter que equilibrar tantos pratinhos ao mesmo tempo.
Ser avó é poder rever a infância do filho pelos olhos do neto. É enxergar aquele mesmo rostinho sob a ótica da maturidade e da calmaria que a velhice traz ou pelo menos deveria trazer.
Talvez por isso, na maioria das vezes, os avós têm a leve missão de “estragar” nossos filhos. Eles já passaram pelas incertezas da juventude e sabem, com a sabedoria dos anos, o que realmente importa.
Eles sabem que o excesso de açúcar num domingo de manhã nada vai alterar o futuro. Ou que um presentinho sem data comemorativa não transforma as crianças em seres arrogantes.

Num cenário comum nas famílias, eles conseguem aplicar amorosidade em momentos que nós, no caos do hoje, simplesmente não somos capazes. São lições que só aprendemos com o avançar da idade.
Tenho comigo também que o amor de muitos netos pelos avós, principalmente pelas avós, nasce desse amor açucarado. Um afeto que poderia ser facilmente direcionado por nós, mães, mas não o é porque ainda estamos presas e sufocadas pelos afazeres do agora.
Nós não conseguimos vivenciar o futuro neste momento, mas tudo bem: elas também não conseguiram com a gente. Nossas mães e sogras são hoje a versão exata que nós seríamos, não fosse a vida adulta e suas responsabilidades atuais.
Prevendo o quiprocó que a invenção de uma máquina do tempo causaria no mundo, Deus deu um jeito perfeito de a gente poder voltar ao passado para rever nossos rebentos.
Os netos são essa nova chance de sentir aquele cheirinho que não podemos guardar em outro lugar a não ser numa gavetinha da memória. Um cheiro que, salpicado de um amor que não conseguimos reproduzir em outro ser que não seja um filho nosso, nos transporta com doçura ao início da maternidade novamente.
Obrigada às avós dos pequenos pelo amor dedicado a nós e aos nossos.
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