Entenda as 13 técnicas de manipulação narcisista

Pós-graduada em Neurociência, Kelly Arfux falou sobre o transtorno de personalidade narcisista (causas e características), as ferramentas de ação do narcisista (técnicas de manipulação) e quem são as vítimas (os sinais de alerta)

Todo mundo está sujeito a conhecer uma pessoa assim, mas nem sempre será fácil reconhecer, afinal, o objetivo de um manipulador é muitas vezes mudar sua opinião a favor dele. Para te ajudar a identificá-los, a mentora e palestrante Kelly Arfux compartilha 13 técnicas de manipulação narcisistas.

Os pontos foram abordados durante uma edição dos Colóquios Ministeriais, no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, na semana passada.

 Entenda as 13 técnicas de manipulação narcisista. (Foto: Reprodução)
Entenda as 13 técnicas de manipulação narcisista. (Foto: Reprodução)

Pós-graduada em Neurociência, Kelly Arfux falou sobre o transtorno de personalidade narcisista (causas e características), as ferramentas de ação do narcisista (técnicas de manipulação) e quem são as vítimas (os sinais de alerta).

Conforme a estudiosa, o narcisismo trata-se de uma patologia que acomete homens e mulheres, e que tem como critério de diagnóstico a grandiosidade, mascarando a baixa autoestima, a fantasia de ser especial, necessidade de ser admirado, junto com a arrogância, falta de empatia, desvalorização e exploração do outro.

Segundo a palestrante, as causas do transtorno podem ser genéticas, ambientais e reflexo de experiências vividas, abusos e traumas. 

Confira algumas técnicas de manipulação citadas:

  • Tratamento de silêncio;
  • Oposição sistemática (mescla de palavras) para confundir a vítima sobre seu posicionamento, fazendo com que se sinta desvalorizada;
  • Transferência de culpa (culpar a vítima por coisas que ele faz, fazendo com que perca a percepção da realidade e se sinta humilhada);
  • Morde e assopra (elogia para criticar na sequência);
  • Fita métrica ilimitada (por mais que a vítima faça, ela nunca estará no nível de excelência exigido, sentindo-se incapaz e insuficiente). 

O encontro foi promovido pelo Ceaf (Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional) – Escola Institucional do Ministério Público de Mato Grosso, em parceria com o CAO (Centro de Apoio Operacional) Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino.

O objetivo foi capacitar integrantes do Sistema de Justiça, com o intuito de contribuir para o aprimoramento da atuação funcional, especialmente nos processos relacionados à violência doméstica, bem como alertar toda a sociedade para essa prática.

Ao fim da palestra, Kelly abordou as fases do relacionamento tóxico e os sinais a serem observados para a identificação da vítima de um narcisista, como:

  • Ser acusada de agressão quando se defende;
  • Ter tratamento público diferente do privado;
  • Ficar em constante estado de defesa, medo e ansiedade;
  • Ter a sanidade mental colocada em dúvida;
  • Ter datas comemorativas estragadas. 

As promotoras de Justiça Gileade Pereira Souza Maia, coordenadora-adjunta do CAO Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino, e Elisamara Sigles Vodonós Portela, coordenadora administrativa do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, atuaram como debatedoras do evento.

A capacitação foi realizada de maneira híbrida, presencial na sede do MPMT, com transmissão ao vivo pela plataforma Microsoft Teams, reunindo membros e servidores do Ministério Público, Poder Judiciário, Assembleia Legislativa, Polícias Civil e Militar, entre outras instituições integrantes do Sistema de Justiça. Os participantes receberão certificado.

Elisamara Portela pontuou que a impressão que é de que os agressores narcisistas estão sempre se dando bem porque a Justiça muitas vezes não tem meios de pegá-los e que, talvez, a sensação dessas vítimas seja de impotência quando se retratam.

A coordenadora adjunta reforça ainda que é preciso mostrar as vítimas que as portas do Sistema de Justiça continuam abertas para quando despertarem e se perceberem vítimas de relacionamentos abusivos.

Gileade Maia destaca ainda que eventos como esse servem para lembrar que, embora não deixem marcas visíveis, há violências que marcam a alma e são capazes de destruir uma mulher, desequilibrando-a ao ponto de fazê-la avançar no homem, atirar objetos e até agredir.

Ela reforça ainda a importância do Sistema de Justiça participar de debates dessa natureza, para evitar a revitimização que passa pela falta de empatia no atendimento e de paciência ao ouvir essa mulher.

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