Entre rapaduras, charrete e coxinhas: a história de uma infância feliz nos anos 80
Os momentos simples de Fátima Malaquias com os pais e irmãos foram relembrados nas redes sociais
“Quando criança, em Campo Grande, charrete era táxi e carroça era carro para levar carga.” A frase nostálgica é de Fátima Malaquias, de 45 anos, que guarda no peito momentos inesquecíveis ao lado da família, vinda de Dourados, a 201 km da capital de Mato Grosso do Sul.

Ela, aos 13 anos, a mãe e os irmãos pequenos vieram de ônibus, enquanto o pai, o irmão mais velho e um primo viajavam em uma charrete. “A carroça levava a gente pra escola, levava a gente pra igreja, sempre meu pai tinha carroça. Meu pai tinha cavalos”, conta Fátima.
Os momentos simples com os pais, Francisco Malaquias e Maria Gostodia Malaquias, foram relembrados no grupo mais nostálgico e saudosista do Facebook, chamado Anos Dourados.
“Sinto muita falta, porque a gente era feliz com o pouco que tinha. A gente ganhava muitas coisas também, muitas frutas, meu pai tinha muito conhecido aqui em Campo Grande. A gente foi bem recebido e ele era muito comunicativo. Esse veinho não era fácil não. Sinto muita saudade dele, do tempo que a gente era criança. Ele era pai, era mãe, era tudo. Muito responsável, carinhoso, morreu sem dever nada a ninguém. Saudade do meu pai.”
Fátima Malaquias

Nos comentários, vários seguidores da página entraram no clima. “Já andei numa charrete dessa, naquele tempo!”, comentou Edina Moreira do Amaral.
Herança de Francisco
Na foto, Fátima aparece em uma charrete com o pai e os filhos Douglas e Julio, na rua Calógeras, na região da Esplanada Ferroviária. Lá, seu Francisco tinha uma lanchonete que vendia só gostosuras. “A coxinha dele era a coxinha mais gostosa do mundo, o pastel também.”
Antes de vir para Campo Grande, o pai de Fátima trabalhava com construção. Na capital, focou na gastronomia.

“O papai tinha engenho e ele moía as canas e fazia a rapadura, e a gente ia vender na carroça. E tinha um cavalo que ele era tratado como criança, igual a gente tem de casa, sabe? Guarani. Um cavalo alto, bem grande, branco”, relembra Fátima, que herdou as mãos boas para os doces.
“Era muito gostoso. Aí a mãe veio aqui para Campo Grande e começou a fazer cocada, maçã do amor para vender nas feiras. E a gente vende hoje nas feiras da Bolívia, Feira Bosque da Paz.” Fátima mandou vídeo em um dos eventos. Veja:
A carroça e a charrete foram trocadas em 1993 por outro meio de transporte, mais moderno.
“O papai comprou um fusca velho, preto. Aí a gente cantava aquela música do fuscão preto”, relembra Fátima, aos risos. “Aí carregavam os doces no banco.”
Hoje, Fátima segue cercada pelas lembranças de uma infância simples. Entre doces e memórias, mantém viva a tradição iniciada pelos pais, e faz questão de lembrar que, um dia, o transporte da vida era puxado a cavalo, com cheiro de rapadura e sabor de saudade.
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