Com três metros de largura, 15 de altura e 126 degraus, a Escadinha da XV de Novembro, localizada no coração de Corumbá com vista direta para o Pantanal, se tornou tela de pintura para um artista sul-mato-grossense. A escadaria, construída em 1923, é um dos pontos de acesso da parte alta da cidade para o Porto Geral, situado às margens do Rio Paraguai.
Vídeo: Fundação de Cultura de Corumbá/Marcos Rezende
Ao Primeira Página, o desenhista Marcos Rezende, responsável por diversas outras grandes obras espalhadas pelo estado, contou o desafio que está sendo concluir a pintura, que servirá de presente para quem participar do Festival América do Sul, previsto para iniciar na próxima quinta-feira (14).
“A fundação veio com a proposta de pintar a escadinha, me passou o projeto e deu total liberdade de criação. Eu pensei: ‘nada mais natural do que a gente retratar o Pantanal’. Como a escada tem uma proporção bem diferente, porque ela é 1/5 eu pensei na ideia de retratar as águas, a mata e o céu, porque só Mato Grosso do Sul tem isso. Por conta da dinâmica e da característica que tem a escada, são 126 degraus, ou seja, são 126 telas que, unidas, formam uma só”, disse.
A ideia do projeto trazido pelo artista é dar movimento à arte. Ou seja, que visualizar o desenho a partir da base, não conseguirá vislumbrar toda a obra na escadaria. Para isso, será preciso subir degrau por degrau e, a partir de um zigue-zague, encontrar animais, vegetação e um céu bastante colorido no topo.
Onça é um dos animais representados na obra (Foto: Marcos Rezende)
“Se eu for para o lado esquerdo do degrau eu vejo uma coisa, se eu vou para o lado direito eu vejo outra. Eu quis trabalhar esse movimento, eu chamo de safari visual. A onça-pintada está num local específico, para vislumbrar todo seu esplendor. Se eu for para o lado mais à direita ela camufla na vegetação”, destacou.
Apesar de experiente, Marcos frisou as dificuldades da pintura, uma vez que é a primeira vez que realiza algum trabalho em escadaria, principalmente sozinho. A atividade, que iniciou no dia 27 de abril, está próxima de ser finalizada, apesar da chegada da chuva na cidade nesta sexta-feira (8).
“O desafio da criação é bem grande, mas muito satisfatório. Quando eu pensei na logística para produzir, eu precisava fazer 12 degraus por dia, o que daria 10/11 dias de trabalho. Mas mudei esse pensamento ainda no começo. Eu tinha uma ideia na cabeça do que fazer, mas fui melhorando, adaptando”, pontuou.
Por fim, o artista ressalta o prazer em prestar o serviço para uma das cidades mais antigas de Mato Grosso do Sul, que dá ao visitante a oportunidade de viver história, natureza e cultura em um só lugar.
“Eu pinto a escadaria, olho para trás e vejo aquela imensidão do Pantanal. É uma experiência incrível. Isso é o legal de ser artista. A gente transforma o comum em obras de artes vistas a partir do meu ponto de vista, ou seja, da minha imaginação que é bastante colorida”, disse.
Antes e depois da escadaria receber a obra de arte (Foto: Marcos Rezende)
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