Esposa relembra trajetória na aviação e sonhos do piloto morto em acidente aéreo
Juntos há 17 anos, casal teve uma filha que atualmente está com 6 anos
Aos 15 anos, Anelize Andrade brincou que um dia se casaria com o rapaz que viu em uma festa junina. Dez anos depois os jovens de reencontraram, construíram uma família, abriram uma empresa e realizaram o sonho dele de se tornar piloto. Nesta sexta-feira (3), porém, a história ganhou um desfecho doloroso com a morte de Henrique Martim em um acidente aéreo, na zona rural de Campo Grande (MS).

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À reportagem, a viúva relembrou a trajetória do casal, os planos interrompidos e a força que busca na fé para seguir em frente ao lado da filha. Juntos há 17 anos, a história começou ainda na adolescência, quando ambos viviam no bairro Coophavila II, na capital.
“Com 25 anos ele voltou [para Campo Grande] e quando ele voltou já entrou em contato comigo, mandou mensagem no Orkut. […] A gente se encontrou e eu morava com a minha avó. Dois dias juntos e ele já foi morar comigo. E de lá, a gente continuou junto. Aí, a gente construiu a casa”, disse Anelize.
Nesses anos juntos, Anelize e Henrique construíram uma empresa de consultoria, que deu a oportunidade de Henrique iniciar o curso para piloto de avião, que era o sonho de vida dele.
“A aviação e o investimento eram muito altos. Para se ter ideia, naquela época era R$ 400 a hora aula. Agora já deve estar o dobro, Então, nós animamos mesmo depois que a gente abriu a empresa, porque aí a gente teve condições de investir”, destacou a empresária.

Oito anos depois de realizar o desejo de trabalhar nas alturas, Henrique planejava junto à família viver sonhos em conjunto, através dos frutos que a profissão estava lhe trazendo.
“Quando ele viajava, a gente ficava, assim, feliz, (3:08) porque ele estava batalhando por nós.[…] São 17 anos e a gente sempre seguiu juntos. […] A gente tinha planos pra viajar pro exterior, planos pra viajar pra praia. A gente tinha muitos planos, planos de comprar terreno, construir casas para alugar, de mexer mais na empresa”, relembrou.
A filha, atualmente com seis anos, ainda não conseguiu assimilar a notícia da partida do pai. Quando perguntada, Anelize afirmou que sabe pouco sobre o ocorrido, apenas que antes do voo do marido, outras duas decolagens ocorreram no Aeroporto Santa Maria.
Agora, Anelize se junta aos amigos e aos familiares para seguir em frente junto à filha, vivendo com as memórias boas que ficaram do marido.
“A gente vai seguir muito triste, porém, a gente tem Deus, não estamos sozinhos. A gente tem família, a gente tem amigos. A gente vai seguir, não vai ser fácil, mas a gente vai seguir. […] O que a gente tem vivido foi algo muito lindo, só tenho a agradecer a Deus pela oportunidade de ter conhecido ele, de ter me tornado quem eu me tornei. Eu sou uma pessoa totalmente diferente de quando eu conheci ele”, finalizou.
O acidente
O piloto decolou nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (3), quando o céu de Campo Grande estava tomado por neblina. Logo após a decolagem, Martin tentou voltar à pista devido à falta de visibilidade, mas não conseguiu. Funcionários de um hangar da região ouviram uma explosão e acionaram o Corpo de Bombeiros.
O avião bimotor pertencia à Amapil, empresa de táxi aéreo, e era pilotado por Henrique Martim. Além dele estava no avião a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, que também não resistiu aos ferimentos e morreu.

Lydia tinha experiência na área de Zoologia, principalmente nos temas de ecologia tropical, comportamento biológico e monitoramento automatizado da biodiversidade de mamíferos do Pantanal.
Jornalista e escritora, ela ainda apresentava um podcast sobre sua vivência no Pantanal e usava as redes sociais para falar sobre pela fauna.
Em Mato Grosso do Sul, a pesquisadora também atuou alguns meses no Projeto Tamanduá.
Amigos de Henrique foram ao local do acidente nesta manhã e afirmaram ter falado com ele pela última vez por volta das 6h. Para a reportagem, relataram apenas não acreditar que o piloto tentou fazer um novo pouso após decolar.
De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave comportava até seis passageiros. A empresa ainda não se manifestou.
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