Intérprete de libras faz sucesso nos palcos de Ludmilla, Silva e Olodum
Roberto Lima é intérprete de libras profissional há 7 anos, e arrasou nos palcos dos artistas durante o Campão Cultural, na Esplanada Ferroviária, em Campo Grande
Quem curtiu os shows de Ludmilla, Silva e Olodum no Campão Cultural, em Campo Grande, viu de perto a energia e o incrível trabalho de Roberto Lima, intérprete de libras. Ele marcou presença no palco dos artistas para mostrar a importância da inclusão social.
Assista abaixo o intérprete nos shows de Silva, Olodum e Ludmilla:
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Libras não é só mão. É corpo, é dança, é alma, é vida. Sem isso, não adianta ter vocabulário sinalizado.
Roberto Lima
Roberto é intérprete de Libras profissionalmente há 7 anos, mas ele transita entre a comunidade surda há quase 10.
“Comecei a me interessar pela língua de sinais ainda na primeira faculdade. Me identifiquei com o idioma e segui na área de educação de surdos”, explica ao Primeira Página.

E o currículo de Roberto é extenso: formado em Letras-Libras, especialista em Libras, mestre em Educação e agora doutorando em Educação para a UFMS.
“Todas as minhas pesquisas são em torno de processos históricos e educacionais de surdos e também sou intérprete da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus do Pantanal (UFMS/CPAN) há três anos”, completa.
Energia surreal!
Roberto chamou tanta atenção durante os shows do Campão Cultural, porque suas interpretações eram ricas em dança e muita energia.

O fato tem uma boa explicação: ele é também ator formado pelo Grupo Casa – Coletivo de Artistas.
“Minha vivência com o grupo casa (que se iniciou em 2014) me proporcionou explorar a língua de sinais de uma forma artística, saindo do padrão que conhecemos de intérprete educacional: formal, polido e neutro. Minha percepção hoje diz que na esfera artística não é exatamente esta figura que levará a comunidade surda a um show! E, se for, será cansativo por não haver traços de arte na sinalização”, afirma.
O profissional também chama atenção para o que algumas pessoas pensam: “surdos não gostam de música”.

“De que surdos estamos falando? Ser surdo não é uma categoria estanque e única onde todos com tal característica são um protótipo padrão! A própria surdez é diversa dentro de suas nuances e cada experiência surda é singular e única. Neste sentido, a minha proposta é tornar a sinalização dos shows que atuo performática!”, declara.
E que performance, né? Roberto ainda revela detalhes de cada interpretação que fez ao lado de Silva, Olodum e Ludmilla.
“Acho que é isso que chamou tanto a atenção na programação do Campão Cultural! Para o show do cantor Silva (devo dizer que o mesmo foi um ser humano incrível!) utilizei uma roupa leve com tons pastéis e leves em uma tentativa de angariar e ornar com o clima de paz e tranquilidade que Silva propõe”, conta.
Mais um vídeo do Roberto durante o show de Ludmilla:
“No Olodum, com os pés descalços, não me parecia correto sinalizar parado, quieto, quando o universo produzido por eles era completamente dançante, colorido, animador e festivo. Com os pés descalços, sambei, dancei, sinalizei e cantei! A energia do momento precisa estar em sintonia para o público surdo assim como para o público ouvinte”, diz.
“O mesmo ocorreu com o show da Ludmilla! A proposta dela vai de funk a pagode. São várias Ludmillas. Não me pareceu correto, também, ser um intérprete minimalista. Não era um ambiente formal. Minha obrigação enquanto artista era de proporcional um show sinalizado. Eu estudei todo o espetáculo da Ludmilla, criei figurino, penteado, estratégias de tradução e fiz o que me pareceu correto para que valesse a pena e que os mais de 15 surdos presentes pudessem ter uma experiência confortável em todos os sentidos”, finaliza.
Elogios
É claro que muitas pessoas elogiaram o belíssimo trabalho de Roberto. Afinal, a inclusão deve sempre existir e ocupar todos os espaços.
Segue abaixo mensagens de carinho que ele recebeu nas redes sociais:



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