Jovens largam faculdade por empregos que a IA não substitui e que pagam até R$ 500 mil anual

Segundo o jornal The New York Times, uma pesquisa da Universidade de Harvard revelou que a maioria dos jovens americanos acredita que a tecnologia ameaça suas perspectivas profissionais.

Jovens dos Estados Unidos estão virando a madrugada em filas por vagas na área da Construção Civil, de olho em salários mais altos e em um tipo de trabalho que, ao menos por enquanto, a inteligência artificial não consegue executar.

Construção Civil é foco de jovens que largam faculdade por emprego que IA não substitui. - Foto: Ilustrativa/Canva
Construção Civil é foco de jovens que largam faculdade por empregos que IA não substitui. – Foto: Ilustrativa/Canva

Segundo a reportagem do The New York Times, cenas como essas têm se tornado cada vez mais comuns no mercado de trabalho dos EUA, especialmente em Nova York.

A disputa é tão intensa que, em alguns casos, as empresas esgotam as inscrições em poucos minutos, com centenas de candidatos concorrendo a menos de 20 vagas.

O perfil de quem busca esse caminho também mudou: antes, os candidatos costumavam ter mais de 30 anos e, agora, a maioria está na casa dos 20, com um número crescente de jovens que vão direto do Ensino Médio para a Construção Civil, sem sequer passar pela faculdade.

Conforme dados citados pelo jornal, o número de vagas de nível inicial caiu 37% entre 2022 e 2024 em Nova York, o que torna o momento um tanto animador para quem tenta entrar no mercado de trabalho.

Para Mark Levine, auditor financeiro da cidade, os jovens estão tendo cada vez mais dificuldades para conseguir um emprego, o que acende um alerta sobre o rumo da economia.

Muitos dos jovens ouvidos pela reportagem relataram frustração após se candidatar a diversas vagas, principalmente no varejo e em funções administrativas, sem receber retorno. Para eles, a Construção ivil passou a parecer uma alternativa mais concreta e previsível.

Medo da IA pesa na decisão

Outro fator decisivo é o avanço da inteligência artificial. Segundo o jornal, uma pesquisa da Universidade de Harvard revelou que a maioria dos jovens americanos acredita que a tecnologia ameaça suas perspectivas profissionais.

A Universidade de Stanford reforça essa percepção ao apontar queda significativa no emprego de jovens em áreas mais expostas à automação, como programação e atendimento ao cliente.

Trabalhos manuais, como construção, manutenção e instalações, são vistos como menos vulneráveis. Entrevistados pelo jornal afirmaram que a possibilidade de exercer uma função pouco suscetível à automação pesou na decisão de mudar de carreira.

Salários chamam atenção

Além da sensação de segurança, o salário também pesa. Aprendizes sindicalizados recebem pagamento por hora e benefícios, como plano de saúde, desde o início do treinamento.

Em algumas especializações, por exemplo, os salários podem chegar a cerca de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 508 mil) por ano, após a conclusão dos programas de aprendizagem, como afirmam líderes sindicais ouvidos pelo The New York Times.

Em Nova York, o sindicato dos trabalhadores do ferro registrou aumento de 20% no número de candidatos nos últimos dois anos. Já o setor de acabamento teve crescimento de 50% entre 2023 e 2024.

As redes sociais ajudaram a impulsionar esse movimento, com perfis que avisam quando as inscrições se abrem passaram a atrair jovens que antes sequer cogitavam trabalhar na Construção Civil.

Faculdade deixa de ser o único caminho

Para alguns pesquisadores, esse fenômeno revela uma mudança de mentalidade por parte dos jovens.

Melissa Shetler, especialista da Universidade Cornell, disse ao jornal que a faculdade vem perdendo o status, que durou por muito tempo, de único caminho para o sucesso profissional.

Ainda assim, a decisão nem sempre é simples para as famílias, especialmente por se tratar de uma carreira fisicamente exigente. Muitos jovens relataram ter enfrentado resistência ou preocupação dos pais ao optar pela construção.

Mais obras, mais vagas

Outro ponto importante nesse sentido é o aumento da procura que ocorre em meio a investimentos em infraestrutura. Segundo o jornal estadunidense, a prefeitura de Nova York anunciou que US$ 7 bilhões (R$ 35,6 blhões) em projetos da cidade seguirão acordos trabalhistas com sindicatos.

A expectativa é criar cerca de 30 mil novas vagas de aprendizagem até 2030.

Programas municipais de formação profissional e organizações sem fins lucrativos também registraram alta procura. Em um curso de eletricista citado pelo jornal, mais de 250 pessoas disputaram apenas 18 vagas.

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