Menos comparação, mais comunicação

Saiba como evitar que a conversa vire uma disputa para ver quem é melhor (ou pior).

Você já contou para alguém que estava enfrentando um problema e, antes mesmo de terminar a história, ouviu: “Ah, mas isso não é nada perto do que eu passei”?

Ou comentou uma conquista, como a compra de uma casa, e recebeu como resposta: “Eu também consegui. Aliás, consegui achar uma casa maior e numa região mais valorizada da cidade”?

Em vez de acolhimento ou motivo para celebrar, você encontrou uma disputa e ficou com vontade de parar por ali a conversa.

Isso acontece com mais frequência do que imaginamos. E, muitas vezes, sem que a pessoa perceba que está fazendo isso.

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A comunicação fica prejudicada quando transformamos tudo em comparação. – Imagem criada por IA

Transformamos conversas em uma espécie de competição silenciosa: quem sofreu mais, quem trabalhou mais, quem conquistou mais, quem enfrentou o problema mais difícil, quem tem a história mais impressionante. Isso é muito chato!

Precisamos nos lembrar que comunicação não deveria ser campeonato. Quando alguém compartilha um problema de saúde, por exemplo, talvez não esteja procurando alguém que tenha passado por algo pior. Está procurando escuta.

Quando conta uma dificuldade profissional, talvez não queira ouvir que você enfrentou uma situação muito mais complicada. E quando divide uma conquista, provavelmente não precisa que você prove que a sua foi maior.

Às vezes, a pessoa só quer ser ouvida.

Existe uma diferença importante entre compartilhar experiências e competir por protagonismo.

Se alguém diz: “Estou muito feliz porque finalmente consegui realizar um projeto que estava planejando há anos”, podemos responder: “Que bom! Imagino o quanto isso deve significar para você.”

Também podemos cair na armadilha de responder: “Eu também consegui. E o meu projeto era muito maior.” A primeira resposta cria conexão. A segunda muda o centro da conversa.

Isso não significa que devemos esconder nossas experiências ou deixar de contar nossas histórias. Pelo contrário. Compartilhar experiências é uma das formas mais poderosas de criar vínculos.

O problema começa quando usamos a história do outro apenas como uma deixa para contar a nossa. É aquele comportamento de ouvir uma frase já pensando em como vamos responder, e não em como podemos compreender.

Nem sempre precisamos dizer “eu também”.

Nem sempre precisamos provar que já passamos por algo semelhante.

Nem sempre precisamos mostrar que sabemos mais.

E, principalmente, não precisamos transformar a experiência do outro em uma régua para medir a nossa.

Leia mais

  1. Quando a brincadeira não cabe na comunicação

  2. Toda reclamação é um teste de comunicação

  3. Cada país tem um jeito de se comunicar

Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Comunicação de primeira, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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