Uma viagem que começou como um sonho quase terminou em um cenário digno de filme. O campo-grandense José Márcio, conhecido como Celinho, ficou isolado durante uma forte tempestade de neve no Alasca, enfrentou temperaturas extremas, estradas cobertas de gelo e precisou buscar abrigo para conseguir sobreviver.
(Vídeo: Arquivo Pessoal)
O episódio aconteceu após mais de 32 mil quilômetros percorridos desde que deixou Campo Grande, em junho, com um objetivo ousado: dar a volta ao mundo sobre duas rodas.
A tempestade atingiu a região de Prudhoe Bay, no extremo norte do Alasca, justamente quando o sul-mato-grossense seguia por uma estrada de chão em direção ao destino, quando em poucos minutos, o cenário mudou completamente.
“Coisa de filme, o gelo bate na viseira do capacete. Ele não sai primeiro, então você não consegue enxergar nada, para você levantar o capacete para você visualizar, o gelo bate no seu rosto. O vento é um vento cortante, ele corta seu rosto, entendeu? É muito frio, muito frio.”
Sem conseguir enxergar e com a motocicleta escorregando sobre o gelo, Celinho viu a viagem parar completamente.
“A neve ela acabou muito rápido, ela foi crescendo no asfalto. Você andava com a moto, além da moto escorregar demais, parecia que você tava andando em cima de garrafas quebrando”.
Neve fechou a estrada em poucos minutos
O moto aventureiro conta que a situação ficou crítica em questão de minutos. Enquanto conversava com funcionários responsáveis pela manutenção da rodovia, a neve começou a cobrir completamente a pista.
“Passou 10 minutos, eu olhei e já tinha quase um palmo de gelo no chão. O vento muito forte, bate um desespero”.
Sem conseguir retornar e cerca de 250 quilômetros distante do povoado mais próximo, ele precisou improvisar, quando encontrou um acampamento de trabalhadores da região.
“Cheguei lá no acampamento, falei que tava muito frio e que a moto tava escorregando demais. Chamaram o chefe do acampamento, ele me deu acomodação, comida, mostrou restaurante para tomar café. Graças a Deus que ele apareceu e me acomodou super bem”.
Celinho permaneceu praticamente dois dias abrigado até que as condições climáticas permitissem seguir viagem.
Mais de 32 mil quilômetros
A aventura começou no dia 18 de junho, quando deixou Campo Grande e cruzou o Brasil, passando por Ushuaia, na Argentina, atravessando a América Central, percorrendo o México, os Estados Unidos e o Canadá até alcançar Prudhoe Bay.
Apesar da distância, ele viaja levando apenas o necessário. “Eu não carrego muita coisa. Levo umas 10 cuecas, uma calça jeans, um tênis, umas sete camisetas. O restante é ferramenta.”
José Márcio durante passagem pelo Chile. (Foto: Arquivo Pessoal)
Próxima parada: Europa
Com o pior já superado, Celinho agora segue para uma nova etapa da volta ao mundo. A motocicleta será enviada de Vancouver para a Europa, onde continuará a expedição.
A ideia inicial era começar pela Rússia, mas os planos mudaram: “A Rússia tá com fila de espera de 90 dias para entrar e não é um país seguro”.
Agora, o destino deverá ser Dublin, Londres ou Paris: “Independente do país que eu mandar a moto, eu vou circular e fazer essa volta ao mundo de qualquer forma”.
Depois da Europa, o roteiro ainda inclui diversos países da Ásia, completando uma viagem que começou em Mato Grosso do Sul e que já rendeu histórias de superação, frio extremo e milhares de quilômetros percorridos sobre duas rodas.
José Márcia na neve. (Foto: Arquivo Pessoal)
FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA
Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso do Sul, mande uma mensagem pelo WhatsApp. Curta o nosso Facebook e nos siga no Instagram.