'Mulher chamava o povo que passava na rua', diz coveiro
Trabalhando há 8 anos como coveiro no local, Silvio diz que já se acostumou a lidar com a morte dos outros
A história mais famosa que o coveiro Silvio Lourenço de Souza Filho, 29 anos, que trabalha no Cemitério da Piedade, em Cuiabá, é da mulher que ficava em frente à propriedade. O Primeiro Página foi conhecer melhor a história e o trabalho do coveiro.
Trabalhando há 8 anos como coveiro no local, Silvio diz que já se acostumou a lidar com a morte dos outros. Mas no começo ele já teve preconceito. “Hoje já estou acostumado. Não pretendo sair mais, não”, disse ao Primeira Página.
A história mais famosa é da mulher que ficava em frente do cemitério. Mesmo descrente, o coveiro diz que é uma narrativa mais conhecida.
“O povo sempre fala que tinha uma mulher lá no portão, né? Chamando o povo que passava na rua. O povo fala, né? Mas eu não sei”. diz.
Apesar disso, Silvio relata que nunca viu nada de anormal no cemitério. “Sempre foi tranquilo”, conta.
Para se assustar no cemitério, é somente com os vivos, especificamente os animais. “Mais com gato, que fica aí no meio dos túmulos. Eles passam correndo do seu lado, a gente fica meio assim, sei lá”.
Trabalho de coveiro
Silvio Lourenço nunca tinha imaginado que trabalharia como coveiro. Ele era empregado de uma transportadora antes de ingressar no local. Ele está desde às 7h da manhã até às 17h no posto de trabalho, onde divide funções com mais seis pessoas.
No geral, as atividades mais comum são de manutenção do espaço, como rastelar e limpar os túmulos. Os enterros no local, por ser um local antigo, fundado em 1815, é feito apenas para o público que tem espaço de familiares.
A demanda de trabalho aumenta em datas comemorativas, como dias das mães, dos pais, finais de ano e, especialmente, no Dia de Finados, 2 de novembro. “Nessa época de finados aumenta bastante, mas no geral é mais tranquilo”, diz.
Pela prática da profissão, lidar com a morte alheia é algo recorrente. O coveiro explica que quando começou na profissão era algo que ele teve que se adaptar. “Quando entrei, tremia um pouco a mão. Trabalhando 8 anos a gente vai se acostumando”.
Mesmo sem ter tanto contato com os visitantes, que geralmente estão em luto, Silvio enfrentou a perde de um ente querido a pouco tempo, com o avô, a cerca de 6 meses.
Enterrando pessoas frequentemente, o coveiro Silvio não pensa na morte. “Deixa quando der o tempo dela vir”, finaliza.
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