Não é sobre futebol, é sobre comunicação

Não! Isso não é dor de cotovelo de uma palmeirense que perdeu o título para o Flamengo.

Esta coluna não mudou de assunto e nem migrou para o futebol, continua sendo sobre comunicação. Mas, como grande parte do país tem vivido a tensão e a euforia das decisões do Brasileirão e da Libertadores, aproveitei o clima para mostrar que é totalmente possível comemorar um título, celebrar sua paixão e até “tirar onda” com o rival… sem ultrapassar a linha do respeito e da boa comunicação.

Eu sou palmeirense… sim, daquela torcida apaixonada, intensa e confiante. E vivo cercada de flamenguistas por todos os lados. Dá para imaginar o que tenho ouvido nos últimos dias, não é? Ainda assim, no meu convívio, não houve briga, discussão, nem cara feia. E isso é ótimo! É a prova de que rivalidade não precisa virar hostilidade.

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Entre a comemoração da vitória e a chateação da derrota, cuidado para não usar uma comunicação ofensiva. – Fonte: imagem criada por IA

Quem gosta de futebol sabe: a festa, a provocação bem-humorada e a chateação pós-derrota fazem parte do pacote. Isso alimenta o ritual do torcedor, a memória afetiva e até o folclore do esporte. O problema é quando alguém confunde “zoação” com agressão, opinião com ofensa, vitória com licença para humilhar. Aí, claro, vem o revide. E a comunicação desanda.

No calor do momento, como cuidar da comunicação para não ofender alguém?

Antes de tudo, é importante lembrar que comunicação não é apenas o que você diz, mas o impacto do que você diz no outro. No futebol, e na vida fora dos estádios, a emoção costuma falar mais alto. Mas é justamente aí que o cuidado precisa ser maior para evitar bate-boca e conflitos. Alguns pontos ajudam:

1. Reconheça o contexto emocional

Quem está comemorando está no auge da empolgação. Quem perdeu está frustrado. Isso não significa parar a festa, mas ajustar o tom. Uma piada leve diverte; uma provocação pesada machuca.

2. Mire na situação, não na pessoa

“Seu time jogou nada ontem” é bem diferente de “você é burro por torcer para esse time”. A primeira é comentário esportivo; a segunda, ataque pessoal e desnecessário.

3. Escolha bem o momento

A zoação funciona melhor quando o outro já saiu da fase inicial da raiva e decepção. Imediatamente após um gol decisivo contra o time dele talvez não seja a hora de fazer aquele meme que estava engatilhado desde o primeiro tempo.

4. Observe os sinais

Tem gente que adora brincar e entrar na onda; outros não lidam tão bem com derrota. Ajustar a comunicação ao perfil da pessoa é prova de maturidade e habilidade social.

5. Lembre-se: é só futebol

O esporte é paixão, claro. Mas, se um comentário seu causa um dano real em outra pessoa, perdeu-se a medida. A comunicação deve aproximar, não afastar.

E jamais entre na onda dos gritos de torcida que sejam agressivos, racistas, homofóbicos e ofensivos, especialmente contra a mãe do árbitro, do técnico ou daquele jogador que falhou na defesa e permitiu o gol do adversário.

Usar o futebol como metáfora ajuda a entender um princípio simples: uma boa comunicação não pede que você abra mão da sua paixão, mas que você tenha responsabilidade sobre a forma como a expressa. Rivalidade saudável é divertida. Desrespeito, não.

Leia mais

  1. Lei da Linguagem Simples: o que realmente importa

  2. Palavras e expressões racistas que você deveria excluir da sua comunicação

  3. Comunicação, autocontrole e a escolha de não reagir

Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Comunicação de primeira, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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