O campeão olímpico que comunica brasilidade

O que podemos aprender com Lucas Pinheiro Braathen sobre comunicação para gerar conexão e pertencimento.

Em pleno Carnaval, o país parou para aplaudir e celebrar a conquista de um jovem sorridente que trouxe para o Brasil a primeira medalha nos Jogos Olímpicos de Inverno, disputados na Itália. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Lucas Pinheiro Braathen fala português com um sotaque de gringo. Mas isso não impede que sua comunicação transmita aos brasileiros um senso de pertencimento e conexão tão forte quanto o de quem fala com qualquer outro sotaque.

Lucas Pinheiro Atleta
Com palavras e gestos, Lucas Pinheiro Braathen conseguiu comunicar a alegria de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno. – Fonte: Mattia Ozbot/Getty Images

Lucas nasceu em Oslo, capital da Noruega, e possui dupla cidadania. Após o divórcio dos pais, quando tinha três anos, veio morar no Brasil com a mãe. Mais tarde, ainda na infância, retornou à Noruega para viver com o pai, mantendo visitas frequentes ao Brasil. Cresceu entre os dois países, falando norueguês e português. Atleta de alta performance no esqui alpino, decidiu defender o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno após desentendimentos com dirigentes esportivos noruegueses.

O campeão, de 25 anos, nos convida a refletir sobre um elemento essencial da comunicação humana: o pertencimento não nasce apenas da origem geográfica ou da fluência em um idioma. Ele é construído, principalmente, pela forma como escolhemos nos apresentar ao mundo.

Durante entrevista, o medalhista destacou: “Crescer entre duas culturas me ensinou que a diversidade é uma força. O Brasil é um país formado por muitas culturas, e é isso que eu quero representar nas competições.”

Lucas Pinheiro poderia ter se comunicado apenas como um atleta internacional. Poderia ter priorizado a neutralidade, adotado um discurso estritamente técnico ou até assumido uma postura culturalmente mais distante. Mas fez o caminho oposto. Assumiu símbolos, expressões, gestos e referências que demonstram, de forma intencional, sua conexão emocional com o Brasil. E é justamente essa escolha comunicacional que desperta identificação.

Em outro momento, ele reforçou essa mensagem ao afirmar: “Quero sair destes Jogos como uma fonte de inspiração. Quero que as pessoas que estão em casa, assistindo e vendo nossas cores nos Jogos Olímpicos de Inverno, percebam que tudo é possível. Não importa de onde você venha, suas roupas ou seu sotaque. O que realmente importa é o que existe dentro de você. A diferença pode ser o seu superpoder.”

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Lucas Pinheiro é ouro no slalom gigante. – Foto: Redes Sociais

Fazendo um paralelo com nossa vida longe das competições esportivas, no ambiente profissional, muitas vezes acreditamos que pertencimento está ligado apenas ao cargo que ocupamos, ao tempo de empresa ou à função que exercemos. No entanto, pertencimento é, antes de tudo, uma construção por meio das relações. Ele se fortalece quando a comunicação transmite valores compartilhados, reconhecimento do outro e disposição para fazer parte de algo maior.

Comunicar pertencimento não significa tentar se encaixar artificialmente em um grupo, nem abandonar a própria identidade. Pelo contrário. Trata-se de encontrar pontos de convergência entre quem somos e o ambiente em que estamos inseridos. Pessoas que conseguem fazer isso tendem a gerar mais confiança, fortalecer vínculos e ampliar sua capacidade de influência.

No mundo corporativo, essa construção passa por atitudes aparentemente simples, mas estratégicas. Demonstrar interesse pelas pessoas, compreender a cultura organizacional, adaptar a linguagem ao público e valorizar símbolos que representam o coletivo são formas concretas de sinalizar que você não está apenas ocupando um espaço, mas escolhendo fazer parte dele.

Outro aspecto importante é entender que pertencimento também é transmitido pela coerência entre discurso e comportamento. Assim como Lucas expressa sua brasilidade não apenas nas palavras, mas nas atitudes, na emoção ao representar o país e na forma como se conecta com o público, no nosso cotidiano a comunicação eficaz depende dessa combinação.

Criar pertencimento por meio da comunicação exige intenção. Talvez a maior lição que essa conquista esportiva nos oferece seja a de que pertencimento não é um rótulo concedido, mas uma ponte construída. E, como toda ponte, ela depende de estrutura, cuidado e, principalmente, comunicação.

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Este conteúdo reflete, apenas, a opinião do colunista Comunicação de primeira, e não configura o pensamento editorial do Primeira Página.

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