O que a 'palavra do ano' nos diz sobre comunicação
Rage Bait: um alerta sobre as reações humanas na era da indignação.
O Dicionário Oxford elegeu Rage Bait como a palavra do ano de 2025. A expressão, que pode ser traduzida como “isca da raiva”, descreve conteúdos criados intencionalmente para gerar indignação, dividir opiniões e capturar atenção. Funciona muito bem para o algoritmo, mas muito mal para as relações humanas. E, como lembra a mentora de comunicação Dani Amorim, esse fenômeno não se limita às redes sociais: ele está presente, com força, dentro das empresas.
Dani Amorim ilustra com um exemplo simples: “A partir de hoje, todos voltam 100% ao escritório“.
Basta um anúncio desses para que metade da equipe comemore e a outra metade reaja com resistência. Um cenário perfeito para uma explosão emocional (o clássico Rage Bait corporativo), disparado sem que a liderança perceba.

Outro caso comum: líderes que acreditam que pressão é sinônimo de produtividade. Em uma reunião, soltam frases como: “Enquanto vocês fazem o básico, a concorrência está inovando“.
Num ambiente estável, talvez fosse apenas um alerta duro. Mas, em equipes já sobrecarregadas, essa comunicação acende indignação, desmotiva e desconecta as pessoas do propósito. A intenção pode até ser mobilizar, porém, o efeito pode ser o oposto.
O que isso tem a ver com Ethos, Logos e Pathos?
Dani Amorim traz um ponto essencial ao revisitar a teoria clássica da persuasão:
- Ethos (credibilidade)
- Logos (lógica)
- Pathos (emoção)
O Rage Bait é o Pathos utilizado de forma destrutiva: ativa emoções para prender atenção, mas mina confiança, especialmente quando parte da liderança. E aqui faço questão de reforçar: emoção não é problema; manipulação é.
Líderes precisam desenvolver o chamado Pathos ético: a capacidade de usar emoção para criar conexão, não para impor culpa ou medo. Dani Amorim ilustra com um exemplo prático essa diferença:
❌ Apenas Logos (frio e distante):
“Perdemos 30% de produtividade no último trimestre”.
✅ Pathos estratégico (emoção que mobiliza):
“Por trás desses 30% estão projetos adiados, clientes e a frustração de uma equipe que merece ferramentas melhores. Vamos mudar isso juntos”.
Quando líderes usam Rage Bait corporativo, eles acionam no time respostas emocionais de ameaça: medo, raiva, defensividade. E o cérebro, em estado de alerta contínuo, perde capacidade de raciocínio estratégico.
O antídoto para isso é uma combinação essencial: inteligência emocional + comunicação estratégica. Isso significa que líderes e equipes precisam aprender a reconhecer quando uma mensagem inspira ou quando manipula. Saber essa diferença é, como diz Dani Amorim, um superpoder da liderança moderna.
Como são escolhidas as palavras do ano
O dicionário Oxford, que anunciou Rage Bait como a Palavra do Ano de 2025, no ano passado tinha escolhido Brain Rot, expressão usada para descrever a deterioração mental ou intelectual causada pelo consumo excessivo de conteúdo superficial online. Já o dicionário Merriam-Webster escolheu Polarization para 2024, destacando a forte divisão de opiniões, valores e interesses que marcou o debate público naquele ano.
As palavras do ano sintetizam o espírito do tempo: revelam medos, ansiedades, tendências e contradições. Funcionam como um termômetro simbólico das conversas e tensões que moldam a sociedade. Mais do que mera curiosidade linguística, elas nos ajudam a compreender o que foi amplamente discutido e o que deixou marcas no período. Para quem estuda política, comunicação, cultura ou comportamento social, acompanhar essas escolhas é acompanhar a mudança de mentalidades, valores e contextos históricos.
Rage Bait pode ser a palavra do ano de 2025, mas não precisa ser a prática do ano. No ambiente corporativo, comunicar bem continua sendo a diferença entre construir pontes ou ampliar abismos.
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