O que um rato nos ensina sobre comunicação

As diretrizes do padrão Disney de atendimento destacam a importância de ouvir o outro

Se falamos em magia, fantasia e encantamento, não é exagero dizer que um rato, famoso em todo o planeta, tem muito a nos ensinar.

Quando Walt Disney criou seu mais famoso personagem, o Mickey Mouse, deu início a uma das maiores histórias de sucesso do mundo, baseada não apenas em filmes e cenários fascinantes, mas principalmente em uma fórmula de gestão de negócios que reverencia atendimento e comunicação.

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O jeito Disney de Encantar destaca a importância da comunicação. Foto: Mariana Mandacari e Silva

No livro “O Jeito Disney de Encantar os Clientes” (Editora Saraiva, 2011), fica claro que todo o padrão de encantamento que transformou a Disney em referência mundial está profundamente ligado à forma como seus colaboradores, chamados de “elenco”, se comunicam com os visitantes, ou melhor, com os “convidados” (guests).

Diretrizes que viraram padrão mundial

As orientações para os membros do elenco são simples, mas poderosas. Algumas delas, extraídas diretamente do manual do Walt Disney World, incluem:

✅ Fazer contato visual direto e sorrir genuinamente;
✅ Cumprimentar cada convidado de forma calorosa (“Bom dia!”, “Bem-vindo!”);
✅ Buscar contato com quem demonstra necessidade, oferecendo ajuda ou respondendo perguntas;
✅ Manter uma linguagem corporal sempre atenciosa e disponível, com boa postura e expressão amigável;
✅ Agradecer sinceramente a todos.

São diretrizes que têm na essência uma comunicação acolhedora e inclusiva, que transforma visitantes em fãs apaixonados.

Quando a teoria encontra a prática

Para entender melhor como isso funciona no dia a dia, conversamos com Mariana Mandacari e Silva, 21 anos, estudante de nutrição em São Paulo (SP), que participou do Cultural Exchange Program, programa de intercâmbio e trabalho remunerado.

O programa exige inglês fluente e a seleção de candidatos passa por três fases eliminatórias. Mariana foi aprovada e trabalhou por três meses na Disney, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Ela conta que um dos grandes desafios é aprender a se comunicar diretamente com pessoas do mundo inteiro.

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Mariana Mandacari e Silva trabalhou 3 meses nos parques da Disney e diz que aprendeu muito sobre atendimento e comunicação. Foto: arquivo pessoal

A estudante destacou que, desde o processo seletivo, os orientadores enfatizavam a importância de sermos claros e empáticos, pois muitas vezes os visitantes mal falavam inglês. O segredo era aprender a perceber sinais, usar mímicas e até antecipar dúvidas apenas pela maneira como o visitante se aproximava.

Mais do que vender: se conectar

Segundo Mariana, uma das principais orientações recebidas foi: antes de vender, construa uma conexão. Ou seja, era essencial ouvir o convidado, entender sua história e, só depois, oferecer produtos ou serviços que fizessem sentido para ele. É a tradução perfeita de um trecho do livro, que diz:

“A magia não está no produto em si, mas na forma como o entregamos, envolvendo emoção e conexão verdadeira.”

Essa filosofia faz com que a compra deixe de ser apenas uma transação e se torne uma experiência que ficará na memória do cliente.

A lição do rato

Ao final de sua experiência, Mariana diz que levou um aprendizado que vai muito além do universo dos parques temáticos: “Aprendi que o cliente sai muito mais satisfeito quando sente que comprou algo com história, quando percebe que foi ouvido e acolhido”, conta ela.

E essa é a grande lição que Mickey e toda a equipe Disney ensinam: comunicar-se bem não é falar mais ou falar melhor, mas sim ouvir com atenção, sorrir com sinceridade e buscar, acima de tudo, criar conexões humanas.

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