Padre é declarado mártir 23 anos após ser assassinado em Jauru
Religioso foi morto em 2001 após denunciar crimes e injustiças sociais em comunidades carentes de Mato Grosso. Reconhecimento do martírio foi confirmado pelo Papa Francisco.
A Igreja Católica reconheceu oficialmente o martírio do padre italiano Nazareno Lanciotti, assassinado em 2001 no município de Jauru, a 414 km de Cuiabá. Com a decisão, ele poderá ser beatificado e receber o título de beato passo anterior à canonização.

A confirmação do martírio foi feita pela Santa Sé e promulgada por decreto do Papa Francisco. Segundo o Vaticano, o sacerdote foi morto por ódio à fé, em decorrência de sua atuação pastoral e de sua luta contra injustiças sociais na região.
Padre Nazareno chegou ao Brasil em 1971, vindo de Roma, e passou a atuar como missionário em comunidades carentes da Diocese de Cáceres. Foi responsável pela fundação da Paróquia Nossa Senhora do Pilar, criação de 57 comunidades rurais e implementação da adoração eucarística diária.
Também criou um dispensário médico que se tornou um dos hospitais mais ativos da região, uma casa de repouso para idosos, uma escola e um seminário menor.
A atuação do sacerdote também teve forte impacto em Cuiabá, onde incentivou o Movimento Sacerdotal Mariano e ajudou a consolidar o Vinde e Vede, maior evento católico de Carnaval do Centro-Oeste.
Além da missão pastoral, padre Nazareno denunciava problemas sociais como a exploração de menores, o tráfico de drogas e esquemas de prostituição, o que teria motivado represálias. Ele foi brutalmente atacado por dois homens encapuzados em 11 de fevereiro de 2001 e morreu 11 dias depois, aos 61 anos.

Padres da Diocese de Cáceres realizaram uma transmissão para esclarecer dúvidas da comunidade sobre os próximos passos do processo de beatificação.
Com o reconhecimento do martírio, padre Nazareno poderá ser beatificado sem a necessidade de comprovação de milagre. A cerimônia de beatificação ainda será agendada pela Igreja.
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