Pela 1ª vez, mulheres Kadiwéu levam ao Festival de Bonito arte moldada com barro da própria terra
Estreia marca um novo capítulo para as artesãs, que buscam levar a produção tradicional da aldeia a novos públicos e mercados
Utilizando todo material que a natureza proporciona, artesãs indígenas da aldeia Kadiwéu, de Porto Murtinho, estão expondo pela primeira vez as obras produzidas na comunidade ao público. A estréia aconteceu no Festival de Inverno em Bonito, que segue até o domingo (30).
Ao Primeira Página, Neilce Bernaldino da Silva, moradora da reserva indígena localizada em Porto Murtinho, contou que ela e as outras artesãs são iniciantes no mundo das vendas de artesanato, apesar de ter crescido fazendo as obras que aprendeu com a mãe.
“Eu praticamente já cresci com isso, já convivi bastante com as artesãs, mas onde eu moro estamos recuperando, fazemos a nossa cerâmica, desde o ano passado que começamos. Então, tivemos essa oportunidade de estar expondo o nosso trabalho com as mulheres da Aldeia Tomásia, da Alves de Barro e da Campina”, destacou.

Após meses de preparo, as mulheres puderam trazer as obras produzidas para apresentar à população. O objetivo, além da venda, é dar mais visibilidade ao ofício passado de geração em geração na comunidade.
“Significa muito para nós [expor no festival]. Significa pela nossa cultura, pelos nossos trabalhos, nós que somos artesãs, guerreiras, fortes. É muito trabalhoso, desde a coleta do barro até a queima, porque as nossas peças são queimadas com fogo, não com forno. Não compramos, nós coletamos dentro da nossa reserva mesmo”, explicou.
Neilce explica que todo o artesanato é feito com produtos extraídos da própria natureza, inclusive as tintas, que são obtidas através do barro, sem precisar comprar tinta industrializada.

O nascimento da marca
Batizada de Godidiko, a marca das artesãs indígenas fez bastante sucesso durante estréia na noite de sexta-feira (29), na Praça do Peixe, principal ponto de visita de quem vive o Festival de Inverno em Bonito.
As peças possuem preços a partir de R$ 30 e são uma forma da população levar para casa um pedaço da cultura sul-mato-grossense, uma vez que o estado possui diversos povos indígenas.

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