Quais os melhores bairros para morar em Campo Grande?

Com base na votação dos leitores, o Primeira Página foi às ruas para descobrir o que faz alguns bairros serem tão bons de se morar

Clima ameno, fácil acesso a tudo, a tranquilidade de uma capital com “cara de interior”… Quase todo campo-grandense tem na ponta da língua os fatores que fizeram Campo Grande chegar aos 126 anos como uma das melhores cidades para se viver no Brasil.

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Vista aérea de Campo Grande. (Foto: Diogo Gonçalves/DivulgaçãoPMCG)

Mas, generalizações à parte, na prática: qual é o melhor bairro para se viver aqui? A resposta ficou a cargo dos leitores do Primeira Página e reflete as percepções de quem vive a cidade no dia a dia.

Com base nos mais votados em enquete, fomos às ruas para descobrir o que os bairros mais votados têm de especial que os torna tão queridos. Confira abaixo:

🏅 5º lugar – Monte Castelo

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Cruzamento do Bairro Monte Castelo. (Foto: Mileny Barros)

O Monte Castelo tem um grande número de serviços à disposição dos moradores: UPA (Unidade de Pronto Atendimento), muitos supermercados, avenidas de grande fluxo, comércio, floriculturas, postos de gasolina, delegacia… Essas características se repetem no relato de cada morador ouvido no bairro. O fácil e rápido acesso à região central é outro ponto que conta a favor.

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Cruzamento do Bairro Monte Castelo. (Foto: Mileny Barros)

“Aqui é bem tranquilo, não tem muito roubo, violência, e tem tudo perto: mercado, farmácia, posto de gasolina, padaria. Já um dos pontos negativos é que aqui não tem muita praça.”

Evandson de Assunção, vendedor e morador do Monte Castelo há 31 anos.

Movimentado, o bairro tem vias que exigem atenção redobrada dos motoristas, já que é um dos acessos à região norte da cidade.

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Delegacia no Bairro Monte Castelo. (Foto: Mileny Barros)

🏅 4º lugar – Rita Vieira

O Rita Vieira tem “cara de bairro novo”, um reflexo da expansão que a região vem sofrendo nos últimos anos.

Recém pavimentadas, a maioria das ruas tem asfalto liso, boa sinalização e muita calmaria. Há ainda muitos terrenos à venda — uma boa oportunidade para quem quer construir, embora seja preciso estar com o bolso preparado.

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Condomínio no Bairro Rita Vieira. (Foto: Adriano Fernandes)

Uma pesquisa do FipeZap aponta que o bairro é um dos mais valorizados de Campo Grande, com o m² custando, em média, R$ 5,7 mil. É um dos bairros com maior variação positiva no valor de venda de casas, segundo o levantamento. O Rita Vieira tem muitos condomínios, e boa parte das casas é de médio a alto padrão.

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Maioria das ruas no Bairro Rita Vieira tem asfalto lisinho. (Foto: Adriano Fernandes)

“É um bairro seguro. Aqui eu vejo pouca criminalidade, se comparado a outros bairros. Também tem muitos mercados, farmácias, e a segurança dos condomínios é muito boa. Quem pensa em vir morar aqui, vale a pena. Estão saindo condomínios com bons preços, e tem linha de ônibus para o terminal e para o Centro. Tudo flui muito bem.”

Tiago Cruz, autônomo.

🏅 3º lugar – Jardim Panamá

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Praça do Bairro Panamá. (Foto: Mileny Barros)

Localizado entre as avenidas Júlio de Castilhos e Ministro João Arinos, o bairro é um verdadeiro oásis de tranquilidade, com ruas amplas e uma praça que é um convite à contemplação: a Praça do Panamá.

O bairro conta ainda com uma UPA, o Terminal Júlio de Castilhos e um comércio com vários restaurantes, bares e supermercados. Antigo, é predominantemente residencial, com poucos condomínios.

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Academia ao ar livre do Bairro Panamá. (Foto: Mileny Barros)

“É um bairro bem urbanizado. As ruas são amplas, o comércio local é próximo, e também sou muito bem atendido em saúde aqui. É um bairro amigável para pessoas com dificuldade de locomoção. Fico encantado todo domingo, quando vejo o pessoal aproveitando o fim de tarde na praça. Aqui é o meu lugar.”

Renê Ferreira, agrônomo.

A Praça do Panamá é a “menina dos olhos” do bairro, com muito verde, academia ao ar livre para idosos e espaço para a meninada correr.

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Lucy e os filhos. (Foto: Mileny Barros)

“A segurança é muito boa. A praça é maravilhosa para as crianças brincarem. A gente tem muito espaço bom e consegue andar aqui sem medo. Viemos do Rio e lá não conseguimos fazer nada, aqui fazemos tudo. As crianças ficam livres, brincando.”

Lucy Lima Ramos, dona de casa.

🏅 2º lugar – Moreninhas

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Comércio no Bairro Moreninhas. (Foto: Adriano Fernandes)

Quem mora no famoso bairro admite que a maior desvantagem é a distância do Centro. O acesso demora, em média, 24 minutos de carro e pode chegar a 50 minutos de ônibus.

Mas, superada essa barreira, a sensação de quem chega é a de já pertencer ao local: “Pra que ir ao Centro se aqui tem de tudo?”

O bairro tem comércio pujante, muitas farmácias, terminal de ônibus, universidade estadual e até parque com estádio próprio: o Jacques da Luz.

A região das Moreninhas ainda carrega a má fama de ser perigosa, mas, segundo os moradores, esse estigma é coisa do passado — uma prova disso é o hábito de sentar na calçada para tomar tereré à tarde.

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Avenida recém pavimentada no Bairro Moreninha. (Foto: Adriano Fernandes)

Contudo, a pavimentação deixa a desejar. Muitas vias têm asfalto remendado, com aparência de “colcha de retalhos”, e as calçadas são estreitas.

Em 43 anos de Moreninha, o aposentado Moisés da Silva viu de perto todas as transformações pelas quais o bairro passou — e garante: não tem a menor intenção de sair de lá.

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Moisés mora nas Moreninhas há 43 anos. (Foto: Adriano Fernandes)

“Não troco aqui por nada, porque tem de tudo. Tem o mercado aqui” — aponta com o dedo — “outro lá em cima. Igreja tem pra você escolher. Tem comércio, farmácia, tudo o que você precisa. E quanto à fama de perigoso, já acalmou muito.”

Moisés da Silva, aposentado.
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Rua comercial no Bairro Moreninhas. (Foto: Adriano Fernandes)

A moradora Mayara Campos da Costa Silva também “assina embaixo” das afirmações do vizinho de bairro.

“As Moreninhas são um bairro completo. Tem feira, UPA, creche e escola, bancos e atacadistas. Tem até franquias famosas. Você não precisa nem sair do bairro se precisar de qualquer coisa.”

Mayara Campos da Costa Silva.
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Escola que é polo da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) nas Moreninhas. (Foto: Adriano Fernandes)

🏅 1º lugar – Nova Lima

Não é de hoje que o Nova Lima se destaca no cenário imobiliário de Campo Grande. Em 2024, o bairro superou as Moreninhas como o mais populoso da cidade, com cerca de 41.131 habitantes, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Assim como o 2º colocado, também carrega o estigma de ser perigoso, especialmente entre quem não conhece a realidade atual da região.

Nos últimos anos, o Nova Lima tem passado por um intenso processo de adensamento, com a chegada de condomínios de médio a alto padrão. É comum ver casas em construção e terrenos à venda.

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Entrada de condomínio de alto padrão no Nova Lima. (Foto: Adriano Fernandes)

Os moradores da região contam com um shopping no “quintal de casa” — preferido por quem quer fugir da correria do centro —, além de um cinema muito frequentado. Apesar da distância do centro, o acesso rápido compensa. A região virou polo industrial, o asfalto tem avançado e a criminalidade diminuiu.

“Um bairro completo, onde podemos encontrar muitos estabelecimentos, praças e até shopping center. Um bairro bom de se viver.”

Elisângela Ostemberg Benites da Silva.
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Comércio do Nova Lima. (Foto: Adriano Fernandes)

“Nova Lima é acolhedor e tem quase tudo que precisamos, sem precisar ir ao centro.”

Juliana Gonçalves.

“Temos tudo aqui no bairro: comércios, banco e até shopping.”

Jardel Nascimento dos Santos.
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Avenida no Bairro Nova Lima. (Foto: Adriano Fernandes)

🏘️ Orgulho de pertencer

O resultado da enquete reflete o protagonismo que os bairros têm ganhado nas cidades e no coração dos moradores ao longo do tempo, explica a socióloga Carla Cristina de Souza.

O conceito ultrapassado de que “periferia” é sinônimo de insegurança ou pobreza vem sendo ressignificado, sobretudo pela experiência de quem vive nesses territórios.

“Esses bairros são, na verdade, também espaços de produção de significados, cuidado e sociabilidade. Muitos moradores vivem ali desde sempre, assim como suas famílias, o que gera vínculos profundos e um forte laço comunitário. O senso de pertencimento que emerge ressignifica a forma como esses bairros são vistos por quem mora e por quem olha de fora.”

Carla Cristina de Souza.

Segundo Carla, o sentimento de pertencimento fortalece a cidade como um todo.

“Quando as pessoas só estão de passagem, não criam vínculos que as levem a reivindicar melhorias. Manter esse senso de pertencimento é essencial para transformar a cidade, porque as pessoas se sentem parte e se envolvem nas mudanças necessárias — estruturais, culturais, educacionais, etc.”

Carla Cristina de Souza.

Qualidade de vida

Com 126 anos, Campo Grande é a 4ª capital com melhor qualidade de vida do país, conforme o Índice Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) de Desenvolvimento Municipal. O estudo leva em conta indicadores como emprego, renda, saúde, educação e PIB (Produto Interno Bruto). A “Cidade Morena” só fica atrás de:

1º – Curitiba (PR)

2º – São Paulo (SP)

3º – Vitória (ES)

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