Setembro Amarelo: o que dizer e o que não dizer a quem enfrenta a depressão

As palavras não curam o sofrimento mental, mas podem acolher quem sofre, reduzir o isolamento e incentivar a busca por ajuda.

Este mês é marcado pela campanha Setembro Amarelo, que traz conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental e da prevenção ao suicídio. Neste ano, a campanha do Centro de Valorização da Vida (CVV) traz uma mensagem simples, mas profunda: “Escutar é estar presente”.

O CVV publicou dados de um estudo realizado pela Unicamp que aponta que 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida. Desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso.

Em tempos de muita fala e pouca escuta, estamos constantemente conectados, mas nem sempre verdadeiramente presentes. E, muitas vezes, acreditamos que precisamos encontrar imediatamente uma solução para o problema do outro.

No entanto, quem está sofrendo nem sempre precisa de respostas prontas. Às vezes, precisa apenas de alguém disposto a permanecer ao seu lado e dizer: “Eu estou aqui”.

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🎗️ Setembro Amarelo: comunicação, acolhimento e cuidado também fazem parte da prevenção ao suicídio. – Imagem criada por IA

Por isso, a comunicação pode ser uma importante aliada no apoio a pessoas que enfrentam a depressão e têm pensamentos suicidas. Não porque uma conversa substitua o tratamento profissional (não substitui!), mas porque palavras acolhedoras podem ajudar a pessoa a perceber que não está sozinha.

O contrário também é verdadeiro. Frases aparentemente inofensivas podem reforçar preconceitos e fazer com que alguém se sinta ainda mais incompreendido.

O que dizer a alguém que enfrenta a depressão

Não existe uma frase perfeita capaz de resolver o sofrimento de outra pessoa. O mais importante é demonstrar presença, respeito e disposição para ouvir.

Para acolher, diga:

“Eu estou aqui com você.”

“Sinto muito que você esteja passando por isso.”

“Você não precisa enfrentar tudo sozinho.”

“Como posso te ajudar hoje?”

“Quer conversar sobre o que está acontecendo?”

“Não precisa falar se não quiser. Mas estou aqui quando você precisar.”

“Podemos procurar ajuda juntos.”

“Posso acompanhar você até um profissional ou serviço de saúde?”

Também é importante ouvir sem interromper, evitar julgamentos e respeitar o tempo da pessoa. Muitas vezes, estar presente em silêncio pode ser mais acolhedor do que tentar preencher todos os espaços com conselhos.

O que não dizer

Algumas frases podem parecer uma tentativa de incentivo, mas acabam minimizando a dor ou aumentando a culpa de quem já está sofrendo.

Evite dizer:

“Tem gente em situação muito pior.”

“Isso é falta de Deus.”

“Faça um esforço e você sai dessa.”

“Você precisa reagir.”

“Isso é frescura.”

“Você não tem motivo para ficar assim.”

“Isso é coisa da sua cabeça.”

“Todo mundo passa por problemas.”

Essas frases não diminuem o sofrimento. Dor não é competição, e a depressão não se resume à falta de vontade, ao pessimismo ou à incapacidade de reagir.

A depressão é uma condição que exige cuidado e, muitas vezes, acompanhamento profissional. Por isso, expressões que tratam o sofrimento como exagero ou escolha podem aumentar a culpa, a vergonha e o isolamento.

Acolher não significa assumir a responsabilidade de resolver o problema do outro. A comunicação acolhedora, no entanto, pode auxiliar na busca por ajuda. Familiares e amigos não substituem psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais de saúde. Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional, o CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188.

Também é possível ser atendido por um voluntário pela internet, no site cvv.org.br.

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