Sobrevivente de grave acidente na BR-262, Catarina ensina aos 7 anos que limites podem ser reinventados

Após amputaçãode uma das pernas, a pequena reaprende movimentos e enfrenta novos desafios, como o retorno às aulas de balé

Aos seis anos, uma viagem de volta para casa ao lado da mãe terminou de forma inesperada após um grave acidente mudar a vida de Catarina Galharte Polastri de Campo, atualmente com 7 anos. Desde então, a pequena enfrenta uma rotina de desafios e descobertas, aprendendo novamente movimentos que antes faziam parte do dia a dia e encontrando no balé uma forma de seguir em frente.

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Catarina retornou ao balé um ano após o acidente (Foto: arquivo pessoal)

Na manhã de 15 de junho de 2025, Catarina e a mãe, Renata Galharte, de 39 anos, voltavam de ônibus para Corumbá, no coração do Pantanal sul-mato-grossense. Faltavam menos de três horas para chegarem ao destino quando uma barra de ferro que havia se soltado de uma carreta atingiu o ônibus e mudou para sempre a vida da família.

Catarina foi socorrida de helicóptero e encaminhada em estado grave para a Santa Casa de Corumbá, onde permaneceu internada por cinco meses. Durante o tratamento, a menina precisou amputar a perna direita na altura do quadril e passou a enfrentar uma nova rotina, marcada por adaptações e desafios.

Ao Primeira Página, Renata contou que, após a alta da filha, Catarina iniciou um intenso processo de fisioterapia para recuperar os movimentos e reaprender a andar.

“Primeiro ela aprendeu a ter força na perninha que ela tem para ficar em pé, depois para se equilibrar. Na fisioterapia ela está treinando com muletas que vão ajudar muito mais ela, porque a muleta dá mais mobilidade que o andador”, contou. 

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Catarina durante sessao de fisioterapia (Foto: arquivo pessoal)

Enquanto lidava com a nova vida da filha, Renata organizou uma campanha para conseguir comprar uma prótese específica para a pequena, uma vez que a amputação dela é considerada das mais complexas.  

“Ela tem a prótese e ela faz a fisioterapia com a prótese. Ela não usa a prótese ainda, porque a amputação dela é a desarticulação de quadril e o uso da prótese é muito difícil para uma pessoa que é desarticulada, porque é mais pesada. Ela tem que simular um passo, tem que fingir que tem uma perna que está dando um passo”, explicou. 

Com o passar dos meses, Catarina foi mostrando à mãe que a adversidade que vem enfrentando mesmo desde muito pequena, não a impedirá de seguir os sonhos que existiam antes mesmo do acidente. 

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Fisioterapia tem ajudado a pequena a retomar os movimentos (Foto: arquivo pessoal)

Um recomeço

Ao passar em frente à antiga escola de balé que fazia parte, Catarina decidiu contar a mãe que era “hora de voltar”. 

“Eu fiquei feliz, muito feliz, mas também fiquei com receio dela chegar e ver que não é mais da mesma forma que era antes. Eu pensei: será que isso vai frustrar ela? Mas como quase tudo que acontece, eu fico pensando se vai acabar frustrando ela ou não, mas a gente enfrenta. Ela supera as coisas melhor que a gente. E ela, não por ser minha filha, mas ela mais ainda, tem uma personalidade muito forte é uma criança muito alegre. Na hora que ela chegou lá, as amiguinhas vieram abraçar ela, todas alegres, todas”, contou. 

Já no primeiro dia, Catarina ficou em pé e começou a fazer os movimentos. Com ajuda de um andador e da própria professora que também se adaptou à nova realidade da aluna, a menina pôde dar mais um passo na independência e nos desejos que possui, mesmo após o acidente. 

“Agora virou rotina para ela, ela está super feliz. E isso vai ser incentivo também para ela poder fazer melhor a fisioterapia. Eu tenho essa sorte de estar numa cidade em que todo mundo se conhece. Então, a fisioterapeuta conhece as pessoas do balé, que conhece as pessoas da escola e todo mundo se une para fazer um plano de integrar ela mais ainda. A própria fisioterapeuta faz exercícios com ela, treina ela e direciona para o balé um pouquinho também. Um vai ensinando o outro e vai ajudando a montar essa rede de apoio”, destacou Renata. 

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Catarina e as coleguinhas no balé (Foto: arquivo pessoal)

Ao contar sobre a filha, a mãe faz questão de ressaltar o quão feliz a menina é, mesmo depois de enfrentar um dos maiores desafios que a vida lhe impôs. 

“Ela é uma criança feliz. Ela sente falta, sim, de correr. Ela gostava muito de correr e é uma coisa que ela ainda não faz. No futuro, ela pode até correr de muleta, ela vai aprendendo a lidar com as limitações também. É um aprendizado gigantesco,Eu tenho receio de quase tudo que eu vou fazer com ela, mas eu faço mesmo assim. Eu não me limito. Se eu for resumir meu sentimento em uma palavra é uma lição. Eu que estou com o corpo perfeito sou mais limitada que ela, porque muitas vezes eu fico travada.Mas aí eu me proponho a fazer por ela e ela tira de letra”, frisou. 

O acidente

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o ônibus transitava no sentido Campo Grande – Corumbá, pela BR-262, quando invadiu a pista contrária e bateu na lateral de um caminhão que seguia no sentido oposto, transportando minério.

Com o impacto, uma peça se desprendeu e atravessou o veículo, atingindo diretamente três passageiros. O motorista do coletivo e outra pessoa ficaram feridos levemente. A pista ficou interditada por alguns minutos, durante socorro dos passageiros. 

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